O governo de Javier Milei anunciou que dará início ao processo de privatização da Aguas y Saneamientos Argentinos (AySA), empresa responsável pelo tratamento e fornecimento de água em boa parte da Argentina. Serão transferidas ao setor privado 90% das ações da empresa.
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A água na Argentina foi privatizada em 1993, no governo de Carlos Menem; depois, em 2006, foi reestatizada com a criação da Aysa, no governo de Néstor Kirchner. A empresa é responsável pelo tratamento da água e pela rede de esgoto de Buenos Aires e de mais 26 cidades. Entre 2006 e 2022, a população da região com acesso a água potável saltou de 76% para 86,62%; o acesso à rede de esgoto subiu de 57% para 72,66%.
Desde que chegou à Presidência, Milei incluiu a Aysa em sua lista de privatizações e reduziu o quadro de funcionários em cerca de mil trabalhadores – eram 7,6 mil quando Milei assumiu. Agora, o governo confirma que o processo de venda será iniciado, com duas etapas: uma licitação pública nacional e internacional para escolher um novo operador e, em paralelo, uma oferta pública para abrir o capital da empresa a outros investidores.
Em Porto Alegre, Melo quer privatizar o Dmae
A política é a mesma que o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), aplica na cidade. Em maio, Melo entregou à Câmara de Vereadores um projeto de lei para vender parte do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). Segundo o plano inicial, o modelo prevê a divisão dos serviços prestados pelo Dmae entre os setores público e privado. Ficam sob responsabilidade da iniciativa privada atividades como distribuição de água, ampliação das redes, coleta e tratamento de esgoto, além da cobrança das contas. Já a captação e o tratamento da água, a drenagem urbana e os sistemas de proteção contra cheias seguem sob gestão do poder público.
Movimentos lançam plebiscito popular contra privatização da água em Porto Alegre
Nessa quarta-feira, 16, movimentos sindicais e sociais lançaram um plebiscito popular contra a privatização do Dmae. A iniciativa se articula à campanha nacional pela redução da jornada sem redução de salário, pelo fim da escala 6×1 e pela taxação dos super-ricos, denunciando os impactos da privatização da água e do saneamento.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT), Amarildo Cenci, estabelece uma relação direta entre privatizações e a concentração de riquezas no Brasil. “Nós estamos levando o plebiscito do Dmae junto com o plebiscito nacional sobre a reforma tributária, de quem tem que pagar ou não pagar impostos nesse Brasil, porque os ricos não pagam e os trabalhadores estão pagando”, afirma. Segundo Cenci, a luta inclui também a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, pois todas essas pautas estão conectadas. “Os mesmos que estão lá especulando a dívida, os mesmos que ganham por não pagar impostos, usam esse dinheiro para comprar os equipamentos públicos, privatizar as empresas públicas e explorar a água, a energia elétrica, outras áreas estratégicas para ganhar ainda mais dinheiro”.













