Nos últimos meses, o endividamento entre a população da Argentina disparou. Quase metade da população já acumula dívidas, e uma parte considerável desse grupo está inadimplente.
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No total, 21 milhões de argentinos têm algum tipo de dívida – a população do país é de 46 milhões de habitantes. A inadimplência triplicou em doze meses, passando de 4,5% para 12,8% entre maio do ano passado e o mesmo mês em 2026. Cerca de 5,8 milhões de argentinos são considerados inadimplentes, ou seja, com mais de 90 dias de atraso no pagamento de suas dívidas, segundo o Banco Central. Metade deles consta na lista de dívidas incobráveis. Esse cenário é resultado da combinação entre a estagnação da renda e a disparada do custo de vida, o que ainda é somado ao aumento acima da inflação das tarifas sobre serviços e das altas taxas cobradas por financeiras.
O presidente Javier Milei, porém, entende que não se trata de um problema coletivo, mas individual, e já disse que não fará nada a respeito: em uma entrevista, chegou a questionar se alguém “colocou uma arma na cabeça” para obrigar uma pessoa a contrair uma dívida. A verdade é que quem coloca essa “arma na cabeça” da população é a política econômica do governo, que gera a necessidade de endividamento. À Agência France-Presse (AFP), o presidente do Banco da Província de Buenos Aires, Juan Cuattromo, explicou que “o crescimento da inadimplência não é consequência de decisões individuais, é o resultado de um contexto macroeconômico que deteriorou a renda, o emprego e a atividade econômica”.
Protestos marcados para esta quinta; Milei diz que problema é individual e que não fará nada a respeito
Nesta quinta-feira, 20, haverá protestos reivindicando que o governo de Javier Milei apresente soluções para o problema. As centrais sindicais, que convocaram os protestos marcados para esta quinta, denunciam as políticas de Milei: “Desde que Milei governa, o custo de vida disparou, enquanto os salários ficaram cada vez mais distantes das necessidades reais. Por isso, não é um problema individual, mas há um modelo que empurra as famílias ao endividamento”, diz a convocatória divulgada pela Confederação Geral do Trabalho da República Argentina (CGT). E completa: “As famílias argentinas se endividam para poder viver, para pagar o aluguel, comprar comida, pagar a luz, o gás ou garantir os gastos básicos do lar”. As entidades que convocaram a marcha denunciam também a retirada do apoio estatal à economia popular e, por outro lado, a proteção ao mercado financeiro.
Com informações do Uol, da AFP e do Página 12
Foto: CTA Autonoma













