As organizações que atendem pessoas com deficiência na Argentina estão estranguladas financeiramente. O motivo é o corte de recursos do governo de Javier Milei. Reportagem publicada na última semana pela Associated Press mostra como o cenário vem se agravando nos últimos meses.
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Os cortes são parte da política de “motosserra” de Milei, que tem reduzido os gastos do governo em diversos setores importantes para a população. São cerca de 5 milhões de pessoas com deficiência na Argentina. Também são afetados diretamente suas mães e pais, que estão ficando sem condições de oferecer qualidade de vida nos casos em que a dependência é maior.
Na Argentina, o Estado subsidia os serviços prestados por organizações não governamentais para oferecer serviços terapêuticos e educacionais para pessoas com deficiência. Esse sistema vem sendo atacado por Milei desde o início de seu governo, sem substituí-lo por nenhum outro. No ano passado, ele vetou uma lei que reajustava tanto esses valores quanto os das aposentadorias. As perdas acumuladas no valor real do que é transferido às organizações já chega a 30%. Fora os cortes: conforme a Associated Press, cerca de 50 centros terapêuticos já tiveram de encerrar as atividades no último período.
Um dos casos citados pela reportagem da agência internacional é o de uma mulher de 74 que tem um filho com deficiência. Ele frequentava um centro terapêutico com campo de futebol, horta e cozinha profissional onde os participantes podem ganhar um salário mensal trabalhando para o serviço de catering. Agora, sem condições de seguir nessas atividades, ele “acorda três ou quatro vezes por noite gritando que quer ir para a fazenda”, segundo a mãe, que, como relata a reportagem, “agora perde suas próprias consultas médicas porque Celis [o filho] precisa de cuidados 24 horas por dia. Celis passa o dia todo na cama com um cobertor pendurado na janela para bloquear o sol e música rock tocando alto no celular, ocasionalmente gemendo de agitação”.
O veto de Milei à lei que aumentaria os benefícios aos PCDs foi justificado pela busca pelo superávit primário. Há uma disputa judicial em torno do tema. Enquanto isso, o governo apresentou um projeto de lei para desmantelar o sistema de pagamentos a centros terapêuticos e permitir o repasse dessa responsabilidade a planos de saúde privados.
Com informações da Associated Press
Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons














