SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

TUDO PELO LUCRO

Energia vai ficar 20% mais cara para quase 8 milhões de pessoas no Rio Grande do Sul; efeito da privatização vem acompanhado de problemas constantes no fornecimento

Quase 8 milhões de gaúchos e gaúchas serão diretamente impactados por um aumento na conta de luz anunciado nesta semana. A Equatorial, empresa privada que atende boa parte do Rio Grande do Sul, irá reajustar as tarifas em até 21,76% a partir do final de novembro.

O reajuste foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A nova tabela tarifária entrará em vigor em 22 de novembro deste ano. Os maiores reajustes serão na categoria baixa tensão (21,82%), que abastece imóveis rurais, do poder público, iluminação pública e serviço público, e na categoria residencial B1, que inclui apartamentos e casas e terá aumento de 21,76%. Haverá ainda reajuste de 12,36% na categoria alta tensão, usada pela indústria e comércios e hospitais de grande porte. A média será de 19,53%.

O setor de energia no estado foi privatizado em 2021. Naquele ano, a Equatorial arrematou o braço de distribuição da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), em leilão promovido pelo governo Eduardo Leite (PSD), por apenas R$ 100 mil. Em poucos meses, a empresa demitiu quase a metade de seus funcionários e terceirizou grande parte das atividades. Com diversas denúncias de assédio moral, adoecimento e até morte de trabalhadores, a Equatorial, em sua operação no RS, vem ampliando seus lucros enquanto a população sofre com crescentes problemas no fornecimento de energia, com repetidas e longas quedas de luz que atingem centenas de milhares de pessoas. O mesmo cenário aparece em outras operações da Equatorial, como no Maranhão e no Amapá.

Quem vive no Rio Grande do Sul sabe as dificuldades encontradas a cada queda de energia, a demora costumeira no restabelecimento e a grande frequência em que essas situações ocorrem. Os motivos são diversos, de chuvas e ventos ao furto de cabos. De uma forma ou de outra, não costuma ser fácil fazer contato com a CEEE Equatorial, nem conseguir a energia de volta.

Agora, mais uma vez haverá acréscimo nos custos para a população. Dois milhões de unidades serão atingidas, totalizando 7,8 milhões de pessoas.