SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

LUTO

Morre Amelinha Teles, escritora e ativista no combate à ditadura e à tortura e defensora dos direitos das mulheres

Nesta terça-feira, 15, morreu, em São Paulo, Maria Amélia de Almeida Teles, mais conhecida como Amelinha Teles, jornalista, escritora, feminista e ativista dos direitos humanos. Militante histórica contra a ditadura civil-militar instalada em 1964, foi referência na luta por verdade e justiça e no movimento feminista no país.

Amelinha nasceu em em Contagem (MG) e iniciou a militância política na juventude, atuando na resistência clandestina contra o regime militar pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 28 de dezembro de 1972, foi presa em São Paulo e levada à Operação Bandeirantes (Oban) e ao DOI-Codi, onde sofreu sessões de tortura física e violência sexual praticadas pessoalmente pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Na ocasião, seus filhos, Edson e Janaína, então com 4 e 5 anos de idade, também foram sequestrados e levados ao centro de repressão para ver o pai e a mãe serem torturados.

Após o período de prisão política, Amelinha se dedicou à defesa da democracia, à memória dos mortos e desaparecidos e à organização do movimento feminista. Ela atuou como assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Na busca por justiça, a família Teles moveu, em 2005, uma ação declaratória contra Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais conhecidos torturadores do regime de 64. Em 2008, Ustra tornou-se o primeiro agente do Estado brasileiro a ser oficialmente reconhecido pela Justiça como torturador da ditadura, decisão posteriormente confirmada pelas instâncias superiores.

Direitos das mulheres

Em 1984, Amelinha fundou a União de Mulheres de São Paulo e, durante a Assembleia Nacional Constituinte, participou do chamado “Lobby do Batom”, que garantiu a inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição de 1988.

Em 1994, idealizou o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), iniciativa de formação jurídica para mulheres comunitárias que se expandiu por diversos municípios brasileiros.

Com informações de Brasil de Fato

Foto: Rodrigo Romeo/ Alesp/Reprodução