SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DIA DA MULHER

Com participação do Sintrajufe/RS, mobilização do 8 de Março em Porto Alegre denuncia violência e precarização do trabalho

Em defesa da vida das mulheres e na luta contra a violência de gênero, milhares de mulheres ocuparam as ruas de Porto Alegre no último domingo, 8, para marcar o Dia Internacional da Mulher, em uma das maiores mobilizações dos últimos anos na capital gaúcha. O ato reuniu trabalhadoras, estudantes, movimentos feministas, partidos, sindicatos e organizações sociais.

Com faixas e cartazes, as manifestantes denunciaram o feminicídio, a precarização do trabalho e as desigualdades no mercado de trabalho, além de defender pautas como dignidade menstrual, soberania, ampliação de políticas públicas para as mulheres e o fim da escala 6×1 sem redução salarial.

A mobilização ocorre em um cenário alarmante. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025. Desde o início de 2026, o Rio Grande do Sul já contabiliza 20 casos, reforçando a urgência de políticas de proteção e prevenção.

Diversas diretoras e colegas representaram o Sintrajufe/RS na mobilização. A diretora Fabiana Cherubini falou durante o ato em nome do sindicato. Veja abaixo o vídeo de sua fala:

Fabiana diz que “a marcha mostrou que nós, mulheres, não vamos nos calar diante do retrocesso que o machismo e a misoginia, alimentados pela extrema direita, têm imposto aos direitos mais básicos das mulheres. Hoje, nossa luta não é só por salários iguais, trabalho digno, jornada de trabalho humanamente adequada, creches, serviços públicos, entre outros. É pelo direito à vida! Precisamos de ações eficazes e políticas específicas para acabar com a cultura do abuso, da morte, do estupro e da submissão e desvalorização da mulher!”.

Conforme a diretora Arlene Barcellos, “o ato desse dia 8 de Março mais uma vez mostrou a importância da atuação das mulheres de todos os movimentos no enfrentamento às inúmeras pautas que nos atravessam. Denunciamos as desigualdades presentes na sociedade e reafirmamos a importância da luta coletiva contra às violências físicas, morais, patrimoniais, e também por trabalho digno, igualdade salarial, fim da jornada 6×1, políticas públicas para proteção às mulheres. É preciso respeito e justiça e isso passa por políticas públicas e uma educação antimachista”.

A diretora Camila Telles reforça que “cada vez mais a gente vê que os homens estão participando, o que eu acho muito positivo, porque os homens são os que cometem as violências contra as mulheres. Então eles estarem se responsabilizando, junto com a gente, sendo nossos aliados, é muito positivo. E eu penso que quando se fala em feminicídio a gente não pode jamais esquecer e perder de vista que o feminicídio é a ponta de um iceberg de uma violência que já começou há muito tempo. E muitas vezes nós vivemos essa violência inclusive no nosso trabalho, na apropriação de ideia, na interrupção que os homens fazem, no próprio pacto do patriarcado, são violências. Depois vêm o assédio, o assédio moral, o assédio sexual no trabalho, as pequenas violências dentro de casa, a violência patrimonial, a violência psicológica. A gente não pode falar em feminicídio sem falar nisso, combater esses primeiros estágios da construção do feminicídio”.

Para a diretora Carmem Regina Ribeiro, “foi um grande evento e teve o objetivo de visibilizar a luta diuturna das mulheres pelas garantias de direitos. Não só garantir, mas viabilizar o acesso a esses direitos. Foram vários os motes, se destacando a luta pelo fim das violências praticadas contras as mulheres, que, não raro, culminam em feminicídio. A presença de muitas mulheres e de muitos homens demonstrou o comprometimento com o tema, a busca do fim do feminicídio. Fiquei encantada com a quantidade de mulheres e homens de todas as idades e muito feliz com a participação de muitos colegas da categoria. Foi um ato pacífico e organizado de forma a lograr participação popular. Foi lindo de se ver”.

Já a diretora Cristina Viana avalia que “o ato foi muito grande e potente. Lamentavelmente, a centralidade foi a luta contra o feminicídio. Aqui no RS os casos de violência contra as mulheres só têm aumentado nos últimos anos. Mesmo que o governo federal tenha formulado o Pacto Nacional Brasil contra o feminicídio, nada vai mudar sem que os estados e os municípios façam a sua parte. Faltam políticas públicas e equipamentos para atender as mulheres que sofrem violência em suas casas, nas ruas, no trabalho, na vida! Não iremos parar até que todas as mulheres sejam livres”.

A diretora Mara Weber, que também participou da mobilização, aponta que “nosso ato unificado foi muito potente. O 8M é uma construção coletiva cuja participação da nossa central, a CUT, é fundamental. Esse ano a Central lançou a campanha permanente pela vida das mulheres, ‘Mulheres na luta têm pressa, porque a vida não tem hora extra’, que vem fortalecer o enfrentamento das violências contra as mulheres que têm origem no patriarcado e no machismo estrutural que sustenta a própria sociedade capitalista. O capitalismo precisa do nosso trabalho grátis para existir. A misoginia e o sexismo orientam a educação de nossos meninos, que se deformam em modelos de masculinidades tóxicas que se expressam nas violências de gênero. Um feminicídio não é fato isolado. Os feminicídios são precedidos de outras violências, entre elas a violência doméstica”. Para Mara, “mudar a educação e garantir estrutura de acolhimento e proteção são fundamentais. O governo Leite tem sistematicamente retirado proteção e orçamento das políticas públicas para a vida das mulheres, inclusive para a saúde da mulher. Além disso, o movimento sindical precisa ter um olhar sobre as violências no trabalho. A sobrecarga, precarização que atinge mais as mulheres, o racismo e o assédio ou importunação sexual precisam ocupar a pauta de luta da classe como um todo. Não são temas somente das mulheres, mas de toda a classe”.

Conforme a diretora Márcia Coelho, “presenciamos um evento potente, onde todas as violências sofridas foram expostas, desde a solitária agressão a uma mulher até a violência no trabalho, que é coletiva. Trabalhar com os mesmos direitos e salários não é luxo nem privilégio. A redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, é necessidade. O compartilhamento dos cuidados com casa, filhos e família é benefício para todos, aumentando a qualidade de vida, tendo reflexos positivos na sociedade. Ato forte, onde a resistência feminina fica clara na luta intransigente por nos mantermos vivas e cada vez mais contamos com a participação dos homens, que a cada ano se solidarizam e comprometem a também nos manter vivas, rompendo com o pacto masculino de ‘camaradagem’. Isso demonstra o caminho acertado que os movimentos sociais tem feito no sentido de falar, não para nós mesmas, mas dialogar com aqueles homens capazes de perceber que também depende deles atuar para diminuir as violências cometidas contra mulheres”.

Veja AQUI informações sobre a campanha da CUT.

Origem do 8 de Março

Desde o início do século XX, mulheres trabalhadoras e socialistas, na Europa e nos Estados Unidos, na luta por direitos trabalhistas e pelo voto feminino, destacavam que seria importante haver uma data para celebrar as lutas das mulheres. Em fevereiro de 1908, nos Estados Unidos, foi celebrado pela primeira vez o Woman™s Day, convocado pela Federação Autônoma Feminina.

Em 1910, em Copenhage, Clara Zetkin propôs, na II Conferência Internacional da Mulher Socialista promovida pela Internacional Socialista, um dia internacional dedicado à reivindicação dos direitos das mulheres com a intenção de unificar uma data para celebrar a solidariedade internacional na luta pelos objetivos comuns. Ainda não havia um dia definido e, entre 1911 e 1914, o Dia Internacional das Mulheres foi comemorado em datas diferentes do mês março em diversos países, inclusive junto com o 1º de Maio.

Apenas em 8 de março de 1917, com a deflagração da greve das tecelãs de São Petersburgo, que impulsionou a Revolução Russa, essa data foi consagrada como o Dia Internacional das Mulheres. Alguns anos depois, em 1922, a Conferência das Mulheres Comunistas aprovou, na 3ª Internacional, a comemoração do Dia Internacional Comunista das Mulheres e decretou que, a partir de então, a data seria celebrada oficialmente em 8 de março.

Organizações internacionais, como ONU e Unesco, demoraram mais de 50 anos para reconhecer a data, e só o fizeram por pressão e insistência dos movimentos das mulheres.

Com informações da CUT/RS