Apenas um quarto dos pequenos e microempresários acreditam que o fim da escala 6×1 irá afetar negativamente seus negócios. O levantamento, realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mostra o crescimento da percepção positiva do setor em relação à mudança e contraria a posição dos grandes empresários.
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51% dos responsáveis por micro e pequenas empresas afirmaram que o fim da escala 6×1 não trará impacto para seus negócios; outros 11% veem possibilidade de impacto positivo, 27% estimam impacto negativo e 11% não souberam opinar. Em todos os setores, a somatória dos entrevistados que afirmam que a mudança não causará impacto ou que o impacto será positivo supera os que dizem que o impacto será negativo.
A pesquisa do Sebrae foi realizada entre 19 de fevereiro e 18 de março. Ela mostra resultados ainda melhores do que outro levantamento, também do Sebrae, que abrangeu o período entre novembro e dezembro de 2024. Na ocasião, 47% dos donos de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais, avaliaram que a medida não teria impacto sobre seus negócios; outros 32% apostavam em um impacto negativo.
Grandes empresários querem criar medo infundado
Essa percepção é oposta ao que afirmam os grandes empresários. Conforme o Sintrajufe/RS noticiou nessa terça-feira, 14, entidades do empresariado estão ampliando a ofensiva para manter a jornada de trabalho. Neste início de semana, centenas delas divulgaram, via imprensa, uma nota alarmista sobre os supostos efeitos negativos para a economia de uma medida que garanta que todos os trabalhadores e trabalhadoras com carteira assinada tenham direito a pelo menos duas folgas por semana. A nota é encabeçada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma das linhas de frente das recentes reformas trabalhista e previdenciária, que retiraram direitos dos trabalhadores brasileiros. Junto com a CNI, assinam o manifesto outras 869 entidades empresariais. O texto também foi enviado ao Congresso, reivindicando que mudanças relacionadas à jornada e à escala de trabalho sejam rejeitadas pelos parlamentares. Seus argumentos, porém, não se sustentam na realidade e buscam apenas gerar medo e incerteza entre os trabalhadores. Veja AQUI o porquê.
71% da população apoia fim da 6×1; trabalhadores estão mobilizados
Mesmo com mais de 30 milhões de trabalhadores beneficiados diretamente por uma possível redução da jornada de trabalho, as vozes do “mercado” se erguem contra qualquer mudança. Usam, para isso, das mesmas estratégias que utilizaram para tentar impedir outros avanços nos direitos trabalhistas, como o 13º salário, os aumentos reais no salário mínimo, entre outros: a ideia de que “a economia vai quebrar”. Por outro lado, pesquisa Datafolha divulgada recentemente mostra que mais de 70% dos brasileiros e brasileiras apoiam o fim da escala 6×1. A aprovação popular da medida aumentou em comparação com a última pesquisa: passou de 64%, no final de 2024, para 71% agora.
O fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a luta contra a precarização do trabalho têm sido objeto de manifestações. Pauta histórica dos trabalhadores, a redução de escala e jornada ganhou força no último período com mobilizações nacionais convocadas pelo movimento “Vida Além do Trabalho”. A essas manifestações, somaram-se atividades convocadas por centrais sindicais, frentes e sindicatos.
Nesta quarta-feira, 15, nova edição da Marcha da Classe Trabalhadora voltou a reivindicar, na capital federal, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, entre outras pautas.
Com informações do Sebrae e do Uol
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil










