SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

“REDEFINIÇÃO DO QUADRO”

Sindicato denuncia onda de demissões na Corsan logo após fim do período de estabilidade após privatização

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do RS (Sindiágua/RS) está denunciando a demissão de empregados da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) quando recém findado o prazo de 18 meses de estabilidade após a compra da estatal pela Aegea. A entidade contabiliza cerca de 200 trabalhadores desligados até essa terça-feira, 14, inclusive dirigentes e delegados sindicais, integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e funcionários em pré-aposentadoria.

A Corsan confirma ter iniciado a “redefinição do quadro de colaboradores” como medida estratégica que integra o processo de adequação à gestão privada “e de melhoria contínua do serviço à população”.

“Trabalhamos incansavelmente para que a privatização não acontecesse. Sabemos que a lógica da empresa privada é isso, demissão em massa dos trabalhadores em dois ou três meses depois do processo consolidado”, diz o presidente do Sindiágua, Arilson Wünsch. “Graças à luta coletiva da categoria, conseguimos estender a estabilidade por 18 meses, uma estabilidade considerada inédita tratando-se de privatizações no Brasil e com a possibilidade de conversão em indenização, caso assim o empregado optasse, e percebemos que muitos optaram por esse caminho”, complementa.

O sindicato está orientando os trabalhadores com algum tipo de estabilidade para que não assinem o formulário de demissão, coloquem duas testemunhas e procurem a direção sindical. “Ainda estamos analisando todas as possibilidades jurídicas, mediante o número elevado de desligamentos ocorridos de uma única vez”, destacou o dirigente.

Alta concentração, grandes lucros e tarifas crescentes

A Aegea arrematou a Corsan em 2022, em leilão realizado pelo governador Eduardo Leite (PSDB). A privatização foi questionada em mobilizações e ações judiciais.

Em 2023, o Sintrajufe/RS tratou do tema em matéria que apontou a forma de atuação da Aegea em outros estados onde já operava. Com base em reportagem também do jornal Folha de S. Paulo, o texto do Sintrajufe/RS informava que “a empresa venceu 7 dos 13 últimos leilões da área e, assim, assumiu um volume de investimento superior a R$ 40 bilhões, a maior parte deles nas concessões do Rio de Janeiro adquiridas em 2021 que a levaram a ser um dos maiores clientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”. E denunciava que “a Aegea vem fazendo caixa e ampliando seus lucros às custas da população das dezenas de cidades onde atua, com altas tarifas cobradas pela água, o que vem sendo alvo de ações judiciais em alguns locais.

A Folha cita os casos de Manaus e de Campo Grande: no primeiro, foi aberta até mesmo uma CPI para investigar a qualidade dos serviços da águas de Manaus (braço da Aegea), culminando em um acordo para reduzir as tarifas, também questionadas por consumidores. Já em Campo Grande, a Aegea opera através da águas de Guariroba, que vem buscando na Justiça o direito de aumentar ainda mais a tarifa. Em 2022, a águas de Guariroba lucrou R$ 286 milhões, alta de 26% em relação ao verificado no ano anterior. Em cinco anos, o lucro da concessionária saltou 52%, já descontada a inflação do período, conta a Folha de S. Paulo”.

Fonte: Sul 21

Foto: Isabelle Rieger/CMPA