SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

COPA DO MUNDO

Obras da Copa no Qatar deixam 6,7 mil imigrantes mortos e milhares sem salários

Cerca de 6,7 mil de trabalhadores imigrantes podem ter morrido por falta de segurança e por exposição ao clima extremamente quente, de até 50º, no Qatar, durante a construção dos estádios para a Copa do Mundo de Futebol, que tem início no próximo domingo, 20. Também a Organização Internacional do Trabalho (OIT), informou que registrou mais de 34 mil reclamações, apenas entre outubro de 2021 e outubro de 2022, sem que as autoridades do país tomem qualquer decisão para resolver os conflitos trabalhistas.

Além das milhares de mortes por acidentes de trabalho, há informações de que 500 casos (7%) foram suicídios, sendo que muitos deles podem estar ligados às condições de trabalho degradantes desses trabalhadores. Essas mortes teriam ocorrido entre 2010, ano em que a Fifa anunciou o Qatar como sede da Copa, e 2020. Em todo esse período, movimentos sindicais e representantes de ONGs criticaram a Fifa pela escolha do Qatar como país sede justamente por causa das denúncias contra situações precárias de trabalho.

Agora, a três dias do início da Copa, quando nos campos que custaram milhares de vida entrarão os profissionais que estão entre os mais bem pagos do mundo, o Qatar volta a ocupar manchetes de jornais por causa de uma decisão de seus governantes. Comandado com mão de ferro e poder absoluto pela dinastia Al Thani, de extrema direita, o Qatar se recusou a indenizar as famílias dos imigrantes mortos, segundo a Anistia Internacional, organização de Direitos Humanos.

Trabalho análogo à escravidão

Assim como nos casos de trabalho análogo à escravidão no Brasil os patrões retêm os documentos, como carteira de trabalho, no Qatar, até 2019, o sistema conhecido como “kafala” permitia que os patrões retivessem os passaportes dos trabalhadores imigrantes. E mais: eles só podiam mudar de emprego com autorização da empresa. Apesar do sistema ter sido mudado há três anos, os imigrantes ainda são obrigados a informar o empregador 72 horas antes de sair do país.

As denúncias contra o Qatar

A denúncia de trabalho análogo à escravidão foi feita a partir de uma reportagem do jornal inglês The Guardian, que fez um levantamento sobre a construção de sete estádios, um novo aeroporto, rodovias, sistemas de transporte público, hotéis e até mesmo uma cidade nova: Lusail, a 25km da capital Doha. De acordo com documentos obtidos pelos repórteres e com base em informações das embaixadas dos maiores fornecedores de mão de obra para o Qatar, apenas entre os imigrantes da Índia, Nepal e Bangladesh foram cerca de 500 mortes de trabalhadores em acidentes de trabalho.

Mais de 800 outros trabalhadores morreram em acidentes de trânsito, sendo que grande parte desses acidentes ocorreram no trajeto para o trabalho ou no retorno à moradia, por conta das condições precárias do transporte e do tráfego caótico da região. Além disso, há inúmeros e estranhos registros de mortes por “causas naturais” durante o trabalho.

Estudo desenvolvido pela OIT mostrou ainda “elevado” ou “extremo” risco de estresse térmico, com a temperatura corpórea dos operários subindo a 39° nas atividades laborais a céu aberto durante os quatro meses mais quentes do ano. É bem possível, portanto, que o trabalho sob calor intenso possa ter atuado como causa direta ou indireta para essas mortes por “causas naturais”, que vitimou pessoas jovens e saudáveis, como revelou a reportagem do Guardian.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: CUT.