SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

MOBILIZAÇÃO

No maior protesto do ano, ruas de Porto Alegre e do país ecoam “Fora Bolsonaro”; Sintrajufe/RS convocou e esteve no ato também na luta contra a reforma administrativa

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A mobilização pelo “Fora Bolsonaro” vem crescendo nas últimas semanas. A queda de popularidade do presidente e suas ameaças à democracia, as medidas do governo contra direitos da população e o abandono de trabalhadores e trabalhadoras à própria sorte somam-se ao genocídio cometido contra o povo na pandemia, fazendo com que, no último sábado, 3, tivéssemos as maiores mobilizações do ano pelo fim do governo.

Em Porto Alegre, os organizadores estimam em 70 mil pessoas presentes no protesto, superando as já grandes manifestações de maio e junho. O Sintrajufe/RS esteve presente, diversos diretores e diretoras, além de colegas da categoria caminharam pelas ruas da capital. Colegas ainda participaram de atos no interior do estado – diversas cidades em todas as regiões também tiveram manifestações (pelo menos 27 cidades, conforme os organizadores), assim como todas as capitais do país e dezenas de outras cidades em todo o Brasil. Colegas do interior que participaram de atos em suas cidades podem enviar fotos para o Sintrajufe/RS pelo e-mail imprensa@sintrajufe.org.br.

Em Porto Alegre, as faixas, cartazes, gritos e cânticos denunciaram o genocídio comandado por Bolsonaro, exigiram vacina urgente para todos e todas, auxílio emergencial de R$ 600 e o fim do governo e de suas políticas. A reforma administrativa e as privatizações também estiveram em pauta – a faixa levada ao ato pelo Sintrajufe/RS, por exemplo, trazia os dizeres “Fora Bolsonaro – Não à reforma administrativa – não é uma reforma, é o fim dos serviços públicos”. A caminhada saiu do Largo Glênio Peres, em frente à Prefeitura, e seguiu até o Largo Zumbi dos Palmares.

Denúncias aumentam pressão pelo fim do governo

Bolsonaro vem sendo pressionado pelas diversas denúncias que têm surgido na CPI da Covid, inclusive envolvendo corrupção na compra de vacinas. Ao mesmo tempo, nesta segunda-feira, 5, nova denúncia traz à tona práticas ilegais cometidas pelo presidente: gravações antes inéditas revelam que Bolsonaro participava diretamente de esquema ilegal de rachadinha na época em que era deputado federal, de 1991 a 2018. Os áudios integram os autos da investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre a mesma prática no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente. Os áudios envolvem ainda o coronel da reserva Guilherme Hudson, responsável por recolher o dinheiro da rachadinha.

Na mesma medida em que aumentam as denúncias contra Bolsonaro e seu governo, crescem as mortes por uma doença que já tem vacina, cresce a pobreza do povo e, assim, aumenta também a indignação. Essa indignação está expressa na grande adesão às mobilizações do dia 3 de julho, como já ocorrera nas manifestações anteriores. Fica cada vez mais claro que é necessário colocar fim ao atual governo e às suas políticas. Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda mostra que o percentual de eleitores que reprova o desempenho pessoal de Bolsonaro subiu de 51%, em fevereiro, para 63% neste mês, a maior taxa de reprovação desde o início da gestão. A avaliação do governo também piorou: 48% apontam a administração como péssima ou ruim, ante 36% em fevereiro. Os que acham o governo como ótimo ou bom passaram de 30% para 23%. Entre os entrevistados, 28% consideram a gestão regular.

Diretores, diretoras e colegas avaliam manifestação e apontam continuidade da luta

Para a diretora do Sintrajufe/RS Arlene Barcellos, que esteve no ato, o fato de a mobilização ter sido ainda maior do que as anteriores “demonstra a indignação das pessoas com o governo Bolsonaro. Uma indignação que se sente pela forma como esse governo trata desde o inicio a pandemia do coronavirus, com total desprezo à vida, estimulando tratamentos comprovadamente ineficazes, fazendo chacota com o sofrimento, ultrajando os especialistas ao desconsiderar um dos principais protocolos comprovadamente eficazes, como o uso de máscaras. O desprezo à vida passa pelo valor irrisório do auxílio emergencial, o fim de inúmeras políticas sociais, as privatizações, somando-se a tudo isso a reforma administrativa, apresentada por Paulo Guedes, que visa aniquilar os serviços públicos e o acesso da população que mais precisa. Por isso, precisamos tomar as ruas, com todos os cuidados e medidas de segurança para evitar o contágio do novo coronavírus e suas variantes. Não dá mais para suportar”, completa.

Também diretor do sindicato, Paulo Guadagnin destaca que “o gigantesco ato do dia 3 de julho foi mais um passo na luta pelo fim desse governo e sua política, crescendo cada vez mais nas pessoas a compreensão de que também não nos adianta empossar Mourão para permanecer Guedes aprovando a PEC da reforma administrativa. Precisamos continuar na luta para por um fim imediato a esse governo, todo ele! Fora Bolsonaro e seus generais!”.

Clarice Camargo, diretora do Sintrajufe/RS, concorda que “no ato de sábado, demos um passo a mais pra derrubar esse governo genocida”. Ela ressalta “a participação popular, muitos interagindo com os movimentos que ali estavam, com cartazes próprios, cada um trazendo a sua indignação, que vai além das denúncias de corrupção, falando de um desgoverno total, nunca visto antes. Acho que, pelo pouco tempo de organização, foi um forte ato e preparatório para o dia 24/07 e, quem sabe, a queda de Bolsonaro”.

O diretor Ramiro López também entende que “o ato de sábado foi mais uma grande demonstração da insatisfação do povo contra o governo genocida”. Para Ramiro, é uma crescente de mobilização que há de culminar com uma grande vitória do povo. Temos que destacar que, além da luta de caráter mais geral, nosso sindicato também tem se destacado levando a bandeira maior que temos hoje, contra a PEC 32, da reforma administrativa. Precisamos derrotá-la e, para isso, temos que estar nas ruas”.

Zé Oliveira, outro diretor do Sintrajufe/RS que esteve no ato, destaca que “a enorme mobilização de 3 de julho, em Porto Alegre e em vários outros pontos do país, foi mais uma etapa de pressão para a derrubada do governo genocida de Jair Bolsonaro, que tem responsabilidade nas mortes pela pandemia da Covid-19 ao retardar o processo de vacinação. Ao lutar contra o governo e levar nossas faixas contra a reforma administrativa para a manifestação, além de diminuir a força de Bolsonaro e Guedes para aprovarem a PEC 32, garantimos que esta pauta seja cada vez mais incorporada por todos os movimentos, destacando que a defesa do serviço público não é uma pauta dos servidores e servidoras, mas de toda a sociedade”.

Além de diretores e diretoras, diversos colegas da categoria também estiveram presentes na mobilização. A colega Lídia Schneider da Silva, da Justiça do Trabalho de Sapiranga, avalia que “ver a multidão nas ruas é emocionante e nos dá a dimensão de não estarmos sós contra o fascismo! Vendo em Porto Alegre, cidade onde o fascismo venceu as eleições, inclusive para prefeito, a enormidade do ato, com milhares nas ruas, me deu ainda mais esperança de ver o genocida cair. É importantíssimo, nesses tempos em que se propaga golpe contra o STF e contra o estado democrático, que eles saibam que estamos na luta, que nada virá sem reação e que somos milhares no Brasil inteiro!”. A colega Sinara Machado, aposentada do TRT4, entende que “o 3 de junho foi o dia de mais um importante e grande ato contra o governo Bolsonaro, aqui em Porto Alegre e em todo o país. Continuaremos nas ruas pelo fim desse governo genocida, pelo fim do desmonte do Estado, que só tem servido para penalizar ainda mais nosso povo, os trabalhadores e as trabalhadoras. O próximo ato será maior! Venceremos!”. E completa: “Fora Bolsonaro! Não à reforma administrativa e às privatizações!”.

A próxima mobilização unitária está convocada para o dia 24 de julho, desde já o Sintrajufe convoca toda a categoria para mais esta mobilização. Não sairemos das ruas enquanto este governo não acabar.