SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

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Guedes lança granada nos serviços públicos: enfermeiros, médicos, professores, policiais, entre outros, são os inimigos

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Enquanto milhares de servidores lutam para enfrentar a escalada da pandemia que já tirou a vida de mais de 22 mil pessoas e colocou o Brasil como um dos epicentros da doença no mundo, o governo Bolsonaro já escolheu quem deve combater.  O vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, divulgado na última quinta-feira, mostra, além de diversos absurdos vindos de Jair Bolsonaro (sem partido) e de seus ministros, a visão do atual governo a respeito dos servidores públicos. Em determinado momento da reunião, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é taxativo: para o governo, os servidores e os serviços públicos são “inimigos”.

Em uma de suas falas na reunião ministerial, Guedes refere-se ao congelamento de salários dos servidores incluído no PLP 39/2020, do “socorro” aos estados e municípios – que o Sintrajufe/RS já denunciou como uma farsa armada para proibir os reajustes salariais dos trabalhadores e das trabalhadoras do setor público. Paulo Guedes deixa claro que o governo utilizou a ideia de ajuda aos entes da Federação como desculpa: “Nós já botamos a granada no bolso do inimigo: dois anos sem aumento de salário”, diz o ministro.

“Granada” atingirá toda a população

Além de atingir diretamente o bolso de servidores e servidoras e, assim, suas condições de vida, o PLP que Guedes celebra como uma “granada” contra os “inimigos” irá, irremediavelmente, explodir nas mãos de toda a população. Isso porque a medida inclui também a proibição de ampliação dos serviços públicos, reforçando a lógica da emenda constitucional 95/2017, do congelamento de investimentos.

Como o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus tem demonstrado sem margem para dúvidas, a ampliação dos serviços públicos é a única maneira de proteger a população. Se a precarização e o desmonte não fossem a realidade dos últimos anos, teríamos mais hospitais, mais respiradores, mais UTIs, mais médicos e enfermeiros e, assim, poderíamos salvar mais vidas.

Alinhado com Banco Mundial, Guedes tenta colocar população contra servidores para desmontar os serviços públicos

Não é a primeira vez que Paulo Guedes faz falas agressivas contra os servidores e as servidoras. No fim de abril, Guedes criticou o fato de que, segundo ele, os servidores e as servidoras continuavam “com a geladeira cheia” em meio à crise. Já durante a campanha eleitoral Bolsonaro e Guedes destacaram sua intenção de desmontar os serviços públicos, o que começaram a botar em prática logo que assumiram o governo, com medidas como a reforma da Previdência e outras que seguem em tramitação. Encontram, para isso, aliados no Parlamento: o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), declarou recentemente, por exemplo, que é necessária uma reforma administrativa ainda mais ampla do que a que já vinha sendo defendida pelo governo.

O governo e seus aliados buscam aproveitar-se da crise sanitária e econômica para colocar o conjunto da população contra os servidores e, assim, facilitar o caminho da privatização dos serviços públicos que podem dar lucro e o simples fechamento do que não interessar. Seguem, assim, a linha determinada pelo Banco Mundial, cuja ingerência nos assuntos brasileiros tem crescido semana após semana sob o governo de Bolsonaro e Guedes.