SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

MOBILIZAÇÃO UNITÁRIA

Em Porto Alegre, ato por reposição reforça unidade e promete março quente; mobilizações pipocam pelo Brasil e Guedes fala em guerra

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A manhã desta quarta-feira, 23, foi momento de mais um importante passo da campanha salarial unificada dos servidores públicos. Em Porto Alegre, em frente ao prédio da Receita Federal, representantes de entidades sindicais do serviço público federal, estadual e municipal estiveram mobilizados por reposição salarial para todos e todas. O Sintrajufe/RS participou da atividade, o segundo ato realizado na capital gaúcha neste mês.

As faixas e cartazes traziam recados direitos: “Recomposição emergencial das perdas salariais de 19,99%”, “Reposição salarial já!”. Além disso, também faziam referência à reforma administrativa que o governo de Jair Bolsonaro (PL) tenta aprovar: “Não à PEC 32”. Embora as diferentes categorias tenham acumulado perdas variáveis ao longo dos últimos anos, esse percentual foi definido de forma unificada pelos servidores federais por representar o que foi perdido durante o atual governo. Os servidores estaduais, por sua vez, também impulsionam mobilizações, caravanas e campanhas de mídia denunciando anos de congelamento salarial, alguns há sete anos sem qualquer reposição.

Nas falas, os sindicalistas que estiveram ao microfone criticaram os ataques dos governos (Bolsonaro nacionalmente e Eduardo Leite no Rio Grande do Sul) aos serviços públicos e aos direitos da população. Também condenaram o congelamento salarial e as privatizações. E fizeram questão de reforçar a importância da unidade entre servidores e servidoras das três esferas, a mesma unidade que impediu a aprovação da PEC 32 no ano passado.


R$ 400 de Bolsonaro é balão de ensaio, não há nada concreto

Nessa semana, pouco depois de completar-se um mês desde que os servidores, sem sucesso, buscam abrir negociações com o governo, Bolsonaro e Paulo Guedes voltaram a lançar, pela imprensa, balões de ensaio sobre o tema. Sem qualquer diálogo com as categorias, falaram em reposição salarial apenas para policiais e em aumento do vale alimentação do conjunto do funcionalismo em R$ 400 – o que, além de estar bem abaixo do reivindicado, deixaria de fora os aposentados e as aposentadas. Essas manobras também foram rechaçadas pelas entidades que participaram do ato desta quarta.

A granada de Guedes agora é “tempo de guerra”

Em evento realizado pelo banco BTG Pactual nesta semana, orgulhoso do desastre econômico que estrangulou os serviços públicos e jogou milhões de brasileiros no desemprego e na fome, afirmou: “Nós fizemos em 16 meses o que quem passou pelo governo antes levou 16 anos. Sair [do déficit] de 10,5% do PIB para zero. Isso normalmente leva dois, três, quatro governos. Fizemos em tempos de guerra o que não tivemos coragem de fazer em tempo de paz, que é assumir o comando político do orçamento. Quando fizemos, ocorreu o maior reajuste fiscal da história do Brasil”.

Guedes não pode deixar mais evidente que aproveitou a pandemia para fazer o que o ex-ministro Salles já havia anunciado: passar a boiada e “fazer em 16 meses o que se levou 16 anos”. Só não aprovou a PEC 32 por conta da resistência dos servidores em 2021. Mas a guerra de Guedes contra o povo e os serviços públicos segue, como ele deixa claro na sua negativa em negociar a reposição das perdas do governo Bolsonaro.

Unidade e luta

Durante o ato, o Sintrajufe/RS conversou com diversos dirigentes presentes à atividade. Leia abaixo suas avaliações e depoimentos:

Arlene Barcelos, Sintrajufe/RS

A unidade que estamos construindo é fundamental. Os servidores públicos federais, estaduais e municipais têm esse comprometimento com a sociedade, com a comunidade, da prestação dos serviços públicos. Quando conseguimos mostrar para os próprios colegas e para a população a importância dos serviços públicos e a importância dessa unidade, foi que nós conseguimos barrar a PEC 32 no fim do ano. Ela não está vencida ainda, como o Lira já disse, está guardada esperando o momento certo. Mas, na questão do reajuste, também temos uma pauta unificada. Todos os servidores públicos, federais, estaduais e municipais, estão com seus salários defasados. Então é preciso realmente fortalecer essa unidade. Estamos indo atrás do que foi perdido. Não estamos pedindo aumento salarial, estamos pedindo reposição das perdas salariais. E hoje felizmente temos vários colegas, de diversas entidades, participando desse ato para a conquista dessa reposição.


Marcelo Carlini/Sintrajufe e CUT/RS

Guedes fala em guerra, é verdade. Eles vão até o fim para destruir os serviços públicos, privatizar, fazer terra arrasada. Pacientemente é preciso explicar que não há saída individual, nem por setores ou ramos. Agora são varas do trabalho que estão ameaçadas de fechamento, há dúvidas que todo o judiciário trabalhista está ameaçado? Por isso apostamos na unidade, dos 19,99% para todos os federais e estamos juntos na luta pelas reivindicações dos nossos colegas do estado e dos municípios.


Ramiro López, Sintrajufe/RS e Fenajufe

O ato é extremamente importante, faz parte do calendário estabelecido pela coordenação dos movimentos, unificando servidores federais, estaduais e municipais. Cumpre um papel fundamental no sentido de fortalecer essa unidade e mostrar que o rumo que a gente aponta é o da vitória, que estamos construindo com todo mundo para conquistar a reposição emergencial para os trabalhadores.


Eleandra Raquel da Silva Koch, secretária geral do Sindiserf/RS

Hoje é mais um dia de luta, de mobilização em defesa dos serviços públicos. Nós conseguimos barrar a PEC 32 em 2021, com muita unidade das três esferas, com a nitidez política de que não era possível negociar essa PEC, porque não se tratava de uma reforma, e sim da destruição dos serviços públicos, da entrega da prestação desses serviços para o mercado. E nós fizemos um importante movimento de luta, de mobilização nas entidades. E, agora, estamos desafiados a conseguir conversar com cada colega de trabalho sobre a situação dos serviços públicos e sobre o direito que nós temos de reposição dos nossos salários. Nossos salários estão congelados desde o início da pandemia, no PL 173, que já congelou os nossos salários, então não é verdade que os servidores não estão pagando essa conta. E nós já acumulamos mais de 27,2% de defasagem. É importante dizer que sucatear as nossas carreiras é a forma que o governo encontra de também sucatear os serviços públicos, de acabar com os concursos… Por isso a gente luta em defesa das nossas carreiras, mas principalmente em defesa dos serviços públicos.


Emanuel Dall’Bello, Sindjus/RS e Fenajud

Estamos hoje fortalecendo a luta da Frente dos Servidores Públicos. Mobilizamos a União dos Trabalhadores do Sistema de Justiça do RS, estamos com uma forte campanha unificando todas as entidades do sistema de Justiça. E juntos, também, com a Frente dos Servidores Públicos, em mais um ato importante, dando apoio aos servidores federais que estão enfrentando esse governo destrutivo do Jair Bolsonaro, que quer tirar tudo o que pode dos servidores e tudo o que pode do Estado. Então estamos aqui prestando a nossa solidariedade, o nosso apoio, e vamos continuar na luta aqui no estado, também, onde já estamos há oito anos sem sequer um centavo de reposição da inflação nos nossos salários. É importante nos mobilizarmos conjuntamente pela reposição, um direito garantido à dignidade salarial para todos e todas.


Tamyres Filgueira, Assufrgs

É muito importante essa movimentação que estamos fazendo. Esse ano é um ano chave. É um ano em que o governo Bolsonaro está em um desgaste muito grande, e não à toa, porque vem aplicando políticas que vêm contra os interesses da população, atacando os serviços públicos, atacando os servidores. A gente sabe que quem mais sofre com esses ataques é quem utiliza esses serviços públicos, que é a população mais pobre desse país. Essa movimentação para conseguir um reajuste salarial é um direito. Estamos vivendo uma crise muito grande e os servidores públicos também estão sendo impactados por isso.Tem aumento do desemprego, tem aumento do preço dos alimentos. O custo de vida aumentou na pandemia e estamos sentindo isso. Valorizar o serviço público também é valorizar os servidores. E a gente sabe que o governo tem dinheiro para isso, mas, infelizmente, o governo está prometendo esse reajuste apenas para os policiais. Essa mobilização é importante para mostrar que estamos na luta, também somos servidores públicos. Ao mesmo tempo em que o governo fala que não tem dinheiro para reajuste, destina bilhões para salvar os bancos, para o orçamento secreto, para comprar parlamentares e aprovar a PEC 32. Mas, pela nossa luta, conseguimos fazer com que essa PEC não fosse aprovada em 2021, conseguimos impor uma derrota ao governo. Para conseguirmos o reajuste, o caminho também é a mobilização, é fazermos essa luta aqui no estado e também em Brasília, pressionando o governo.


Roberto Vieira Junior, direção do Sinasefe IFSul

A nossa luta é contra o congelamento salarial. Os servidores da educação estão desde 2016 com o salário congelado, sem aumento nenhum. Só no governo Bolsonaro temos uma defasagem de 19,99%, sem contar a defasagem que já vinha dos governos anteriores. Por isso essa reivindicação de todas as categorias, unidas, contra esse governo que separa, no orçamento, R$ 1,7 bilhão para aumento dos policiais (que não está explícito, mas subentende-se), e deixa as outras categorias sem disponibilizar diálogo. Para isso tem dinheiro. Mas nós, servidores federais, estaduais e municipais, que atendemos a população, não somos enxergados, não somos vistos, somos deixados de lado. Esse movimento tem que ser uma união de todos os servidores, de todas as categorias.


Jairo Bolter, Adufrgs

Esse ato é extremamente importante para mostrar a necessidade de o governo dialogar com os servidores públicos. Ao longo dos últimos anos, os servidores públicos têm sido atacados pelo governo. Nós estamos correndo risco tanto nas carreiras quanto nos serviços. É um sucateamento dos serviços, é a privatização de vários serviços públicos, e nós estamos à mercê desse movimento de destruição do Estado brasileiro. Nós, da Adufrgs, estamos na luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, e nos somamos ao Fórum dos Servidores Públicos há muito tempo e continuaremos juntos na luta em defesa dos serviços públicos gratuitos e de qualidade e pela valorização dos servidores públicos.


André Rosa Martins, presidente do SindoIF (Seção sindical do Andes no IFRS)

Hoje estamos aqui, de forma unitária, construindo uma mobilização diferenciada, porque envolve várias categorias, de vários segmentos do serviço público. A nossa expectativa é construir uma grande greve unificada que possa, inclusive, garantir o ingresso de outras esferas do serviço público em uma grande mobilização nacional para enfrentar esse desmonte do Estado que o governo de Jair Bolsonaro patrocina no nosso país.


César Beras, Andes/RS

Nós vamos derrotar o Bolsonaro. Isso é um dever cívico, necessário, um governo ultraliberal, de direita, genocida. Vamos derrotá-lo com unidade popular nas ruas. Hoje estamos aqui afirmando a necessidade de uma reposição salarial de 19,99% e com todas as entidades dizendo: “Fora Bolsonaro! E viva o servidor público!”.


Raul Cunha, Assibge

Estamos na luta junto com todos os servidores públicos das três esferas, buscando a reposição salarial de 19,99%. Não aceitamos migalhas, muito menos R$ 400 de vale refeição. Lembro que já está agendada para o dia 16 o dia nacional de lutas e depois, no dia 23, greve nacional dos servidores federais para arrancarmos desse governo miliciano os nossos direitos. Direito não se discute, se conquista!


Magali Menezes, presidente da seção sindical Andes na Ufrgs

O ato de hoje marcou a importância do que significa esse movimento de construção de uma greve unificada. Hoje vivemos no país um projeto que ataca profundamente os serviços e os servidores públicos. É contra isso que marcamos posição. É preciso destruir esse projeto, é preciso resgatar a dignidade que significa o serviço público para a sociedade de um modo geral. É isso o que estamos aqui defendendo. Defendemos reposição salarial, defendemos o fim da emenda constitucional 95 e da PEC 32, essa contrarreforma administrativa que coloca no colo do servidor toda a culpa dos problemas econômicos. A culpa dos problemas econômicos é de um projeto mal conduzido, um projeto que não leva em consideração os problemas e as demandas da população brasileira.


Manifestações pelo país prometem um mês de março quente

Além dos atos unificados realizados nos dias 15 e 23 de fevereiro em Porto Alegre, outras mobilizações vêm ocorrendo pelo Brasil. São demonstrações de que há indignação e capacidade crescente de ação por parte de servidores das três esferas.

Uma semana atrás, o Sintrajufe/RS noticiou a greve dos trabalhadores municipários de Florianópolis. Esse movimento, que contou com grande adesão apesar das perseguições sofridas, acabou vitorioso, derrotando a Prefeitura comandada por Gean Loureiro (DEM) e conquistando direitos para a categoria.

Em Pelotas, os trabalhadores e as trabalhadoras do município, organizados pelo Sindicato dos Municipários da cidade, o Simp, estão em assembleia permanente na luta contra um projeto de lei da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) que busca descaracterizar a aplicação do piso nacional da categoria na cidade. Nessa terça-feira, 22, os trabalhadores obtiveram importante vitória: enquanto centenas de municipários e municipárias realizavam assembleia em frente à Câmara de Vereadores, foi retirada a urgência do projeto de lei.

Em Minas Gerais, nessa segunda-feira, 22, servidores estaduais da segurança pública foram às ruas exigir reajuste salarial e, em seguida ao ato, aprovaram a entrada em greve. Esses trabalhadores lutam também contra o Regime de Recuperação Fiscal ao governador Romeu Zema (Novo) quer aderir, em mais um ataque aos serviços públicos e aos direitos dos servidores e servidoras.

Em Brasília, o Sindicato dos Professores (Sinpro) realizou nessa terça-feira, 22, uma grande assembleia geral, com cerca de 8 mil educadores e educadoras. O dia também foi de paralisação para a categoria, com a quase totalidade das escolas suspendendo o atendimento. A luta é por reposição salarial, por concursos públicos e para defender a escola pública e a educação como direitos da população.

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