SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

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Coronavírus: em meio a ameaças de afrouxamento da quarentena, Sintrajufe/RS reafirma defesa do isolamento social

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Desde o início da quarentena de prevenção ao novo coronavírus, a pressão pelo afrouxamento das orientações feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) tem sido quase diária pelo governo Bolsonaro e parte do empresariado e ganha eco em outras instâncias, como governos estaduais e prefeituras. Especificamente no que diz respeito ao Judiciário e ao MPU, vem causando preocupação na categoria a resolução 304/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina volta aos locais de trabalho no dia 15 de maio, no que foi acompanhado pelo TRF4, que publicou decisão nesse sentido nessa segunda-feira, 27.

Em Porto Alegre e no interior, colegas manifestam apreensão sobre como seria o fim do trabalho remoto compulsório. Os locais de trabalho serão adaptados, para que haja a distância mínima orientada pela OMS? As instituições fornecerão os equipamentos necessários para proteção de servidoras e servidores? E não dá para esquecer o deslocamento, mais complicado para quem se desloca usando transporte público. O Sintrajufe/RS partilha dessas preocupações. Desde o início da pandemia, o sindicato defende que a saúde e a vida são prioridade. Por isso, gestionou junto aos órgãos a adoção do trabalho remoto e que fossem assegurados equipamentos de proteção para aqueles que precisam exercer suas atividades em contato com o público, como oficiais de justiça e agentes de segurança.

Números crescem no RS

No Rio Grande do Sul, o governo estuda uma forma de aliviar a quarentena e, na segunda-feira, 27, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou lei que permite, entre outros itens a volta do funcionamento de bares e restaurantes. Essas ações vão na contramão do enfrentamento da pandemia. O estado tem visto aumentar os índices de infectados. Em Passo Fundo, por exemplo, o frigorífico JBS deve ser interditado, depois de registrar quase 50 casos de trabalhadores com covid-19.

Sistema de saúde pode entrar em colapso

O Brasil está entre os dez países com mais mortes por covid-19 no mundo. O sistema de saúde está entrando em colapso. No Ceará, 77% dos leitos de UTI na rede pública estão ocupados; na capital, Fortaleza, esse número chega a 98%. O estado do Amazonas soma mais mortes do que nove países da América Latina juntos, sendo que a letalidade no estado brasileiro é maior. A situação de caos se instalou em Manaus, onde já estão sendo realizados enterros noturnos; as valas comuns se tornaram uma realidade e não se consegue repor o estoque de caixões; a prefeitura está oferecendo cremação gratuita na tentativa de contornar a situação.

No Rio de Janeiro, no início da semana, já não havia mais vagas em UTIs públicas; a fila era de mais 300 pessoas com covid-19 aguardando um leito de terapia intensiva. Em São Paulo, são mais de 8 mil leitos ocupados por pacientes com diagnóstico ou suspeita de covid-19; o hospital de campanha criado para atender exclusivamente esses pacientes deve atingir a capacidade máxima já nesta semana.

A vida antes de tudo

Não se pode ignorar que as coisas não serão como antes e que “o pior” não passou. Levantamento do jornal Financial Times mostra que os números mundiais podem ser 60% maiores do que os que entraram nas estatísticas oficiais. Essa era uma das preocupações externadas pelo agora ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que teve na defesa do isolamento social um dos maiores confrontos com Bolsonaro.

Por isso, o Sintrajufe/RS continua defendendo o isolamento social como a melhor forma de prevenção, de achatar a curva de contágio e tentar evitar o colapso do sistema de saúde. A Fenajufe e a Fenajud (Judiciário Estadual) ingressaram no CNJ com pedido de revisão do prazo de 15 de maio, justamente considerando que o Brasil ainda não atingiu o pico de contágio.