SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

SEM ANISTIA

Brasil ultrapassa 700 mil mortos pela Covid-19; governo Bolsonaro deixou vencer e incinerou milhões de vacinas

O Brasil ultrapassou oficialmente nessa terça-feira, 28, a marca de 700 mil mortos pela Covid-19. Influenciam este número a ausência de resposta do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a negação da ciência por seu grupo polí­tico. Dos 700 mil, 693 mil morreram durante seu governo. De acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o número preciso de ví­timas registradas até 25 de março era de 700.329.

Até o fim do governo Bolsonaro, o Brasil era o segundo paí­s com mais mortes no mundo; agora, ocupa a quinta posição. O paí­s é o 11º em termos de tamanho populacional. Hoje, o cenário está parcialmente sob controle. As vacinas, rejeitadas e atacadas por bolsonaristas, reduziram drasticamente as mortes e casos graves da doença. Agora, para seguir no caminho para cessar a crise da Covid-19, autoridades pedem que todos se vacinem com as devidas doses de reforço; em especial com os imunizantes bivalentes, mais modernos, que conferem maior grau de proteção.

Graças í s vacinas, além da drástica redução da mortalidade, o perfil dos pacientes mais graves mudou. De acordo com levantamento Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na terça-feira, 27, os alvos mais problemáticos da Covid-19 são os mais velhos (acima de 80 anos) e imunossuprimidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também pede atenção especial a esses grupos. A entidade acaba de emitir um comunicado para pedir aos paí­ses que priorizem doses de reforço para esta população.

Ainda de acordo com o relatório, a vacinação é chave para entender a redução das mortes. Pessoas com todas as doses de reforço apresentam, hoje, mortalidade três vezes menor do que aqueles sem imunizantes ou com atraso.

Mortes evitáveis

O coordenador do Infogripe, Marcelo Gomes, argumenta que o número de mortes poderia ser muito menor se o Brasil tivesse, durante os piores dias da pandemia, adotado uma postura de responsabilidade cientí­fica. Poderí­amos, por exemplo, ter tido uma vacinação mais rápida e efetiva, com comunicação mais adequada com a população, sem discussão desnecessária e ruí­dos que trouxeram dúvidas e levaram pessoas a não se vacinarem , argumenta.

A visão de Gomes é reforçada pelo conjunto da comunidade cientí­fica. Enquanto o mundo corria para vacinar a população, Bolsonaro dizia que os imunizantes transformariam pessoas em jacarés . Ele chegou a levantar a possibilidade mentirosa da transmissão de HIV pelas vacinas. Além disso, desprezou as mortes. Disse que não era coveiro para comentar o descontrole. E daí­? , completou em resposta a jornalistas, quando questionado sobre mortos. Ele ainda incentivou e promoveu, pessoalmente, aglomerações. Chegou a retirar a máscara de uma criança em meio a um comí­cio, enquanto morriam 3 mil pessoas por dia em razão do ví­rus.

Além do descaso, a CPI da Covid conseguiu evitar que o governo assinasse um contrato fraudulento, com superfaturamento em vacinas indianas. Com todo esse cenário caótico em desenvolvimento, Bolsonaro adotou um discurso messiânico de incentivar o uso indiscriminado de vermí­fugos contra o ví­rus da covid, sem qualquer comprovação cientí­fica de efetividade.

Sob Bolsonaro, o Ministério da Saúde deixou vencer ao menos 38,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Do total, cerca de 2 milhões de unidades foram incineradas e 31 milhões estão encaminhadas para incineração. Os dados foram revelados na última semana pelo jornal Folha de S.Paulo.