Um ato em defesa da Carris pública foi realizado nessa segunda-feira, 21, na Câmara Municipal de Porto Alegre, por iniciativa da bancada de oposição. O Sintrajufe/RS estava presente, assim como as centrais sindicais CUT e CTB, políticos municipais, estaduais e federais e movimentos sociais. Ao final da atividade, foi aprovada a realização de ato público em frente à sede da Carris, em data a ser definida, e acordado que outras ações serão feitas, para evitar a privatização da Carris; em julho, a prefeitura lançou edital para a venda da empresa pública de transporte de Porto Alegre, com o recebimento das propostas previsto para 2 de outubro.
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A diretora da Associação dos Trabalhadores do Transporte de Passageiros de Porto Alegre (Attropa), Rosângela Machado, cobradora com 19 anos de experiência na Carris, expressou sua oposição à privatização e destacou a importância histórica da empresa para a cidade. A concessão das linhas é absurda, é doar. Estão doando a empresa, que é uma empresa centenária que faz parte da história de Porto Alegre. E uma cidade sem história não tem futuro , declarou. Rosângela afirmou que também estão sendo tomadas providências jurídicas para tentar barrar a privatização.
O grupo decidiu organizar um ato na sede da empresa em protesto contra a privatização, com a data a ser marcada. O advogado Oscar Plentz se juntará ao grupo que lida com o tema da privatização, trabalhando com o corpo jurídico dos e das parlamentares participantes.
O Sintrajufe/RS foi representado pelos diretores Fabrício Loguércio, Marcelo Carlini e Paulo Guadagnin. Loguércio destaca que a Carris pública já foi exemplo de eficiência e premiada como a melhor empresa de transporte coletivo do Brasil, mas as últimas gestões da prefeitura, especialmente no governo Melo, ao invés de fazer boa gestão, querem entregar para iniciativa privada uma empresa pública de 150 anos; esta administração é uma vergonha . Conforme o diretor, nenhuma empresa privada do setor é melhor que a Carris, pois a iniciativa privada não resolve nada que seja do interesse do povo , por isso somos contra a privatização e defendemos a Carris pública, forte e bem administrada .
Paulo Guadagnin afirma que a população de Porto Alegre que depende dos ônibus vê o serviço cada vez ficar mais sucateado: passagem cara, ônibus caindo aos pedaços; motoristas dirigindo com uma mão e contando troco com a outra, por conta do fim dos cobradores; além de linhas e horários sendo cada vez mais cortados . Na opinião do diretor do Sintrajufe/RS, a situação é calamitosa. Por isso a necessidade de defesa da Carris, que ainda mantém um padrão mínimo de qualidade em comparação com as empresas privadas, e, mais ainda, a necessidade de rediscutir todo o modelo de transporte público em Porto Alegre com a estatização das linhas de ônibus .
Sobre a Carris
A Companhia Carris Porto-Alegrense atua desde 1872 e é a mais antiga empresa de ônibus em operação no Brasil. Em 1953, a então empresa privada, controlada pela norte-americana Eletric Bond & Share, foi estatizada pelo governo Leonel Brizola. Com a estatização, a empresa passou a atender os trajetos que a iniciativa privada não tinha interesse em assumir.
As 20 linhas em funcionamento atualmente representam 22% do sistema do transporte público da capital gaúcha. É uma sociedade de economia mista, com o controle acionário da prefeitura de Porto Alegre, que detém 99,9% das ações.
O edital de privatização da Carris foi publicado em 25 de julho, e a sessão pública para recebimento das propostas ocorrerá em 2 de outubro. Além da venda de ativos, a concessão da operação das 20 linhas da Carris por 20 anos também está prevista. A expectativa do é que os contratos sejam assinados até o primeiro trimestre de 2024, após cumpridas todas as etapas do edital.
Também está nos planos do prefeito Sebastião Melo (MDB) a concessão à iniciativa privada do Departamento Municipal de água e Esgoto (Dmae).
Fonte: Correio do Povo e Brasil de Fato RS













