O Grupo Desagravo, que tem entre seus integrantes o colega sindicalizado Vladimir Rodrigues, da JT Porto Alegre, lança seu primeiro álbum no próximo sábado, 15, às 20h, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana, com entrada gratuita. O disco “Pelo escuro – Letra e música”, parte da musicalização da obra homônima do poeta Oliveira Silveira e reafirma a presença negra na história e na cultura do Rio Grande do Sul.
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O lançamento em um teatro na Casa de Cultura Mario Quintana é significativo, pois o local protagonizou importantes iniciativas lideradas por Oliveira Silveira e abriga hoje um memorial dedicado ao poeta. A data também se aproxima do que seria seu aniversário de 85 anos, reforçando o caráter simbólico do encontro entre obra, memória e continuidade.
Estarão no palco Renata Pires e Ceiça Vidal nas vozes, Vladimir Rodrigues no violão e Mingo Niemê e Beto Silva nas percussões. A apresentação conta, ainda, com participações especiais de De Santana (percussão), Gabi Vilanova (viola), Jorge Alberto Mota (acordeon), Edu do Nascimento (sopapo) e Marieta Silveira, que participa do espetáculo como declamadora.
Mais de 20 anos de desenvolvimento
A adaptação musical é assinada por Vladimir Rodrigues, cuja relação com a poesia do autor remonta a 1997, quando teve seu primeiro contato com o poema “Negro no sul”, musicado por Luís Vagner. “O impacto pra mim foi avassalador, sobretudo porque era a primeira vez que conhecia um poema – e também uma música – falando do negro no Rio Grande do Sul com pertencimento e orgulho”, relembra Vladimir. A criação das canções começou no início dos anos 2000 e encontrou maturidade a partir de 2021, quando, junto com Renata Pires e Mingo Niemê, foi criado o Grupo Desagravo.
O álbum apresenta ritmos da cultura gauchesca com expressões da diáspora africana, revelando camadas muitas vezes invisibilizadas da formação cultural do Estado. Milonga, chamamé, vanera e xote convivem com samba, candombe, ijexá e outras matrizes negras, compondo uma sonoridade que reafirma o que o grupo entende como essencial: o reconhecimento da presença negra na gênese da cultura do Rio Grande do Sul.
O disco se assume como documento e ferramenta de formação. A trajetória do Desagravo inclui apresentações em escolas, eventos culturais e espaços de letramento racial, onde a obra tem provocado escuta, reflexão e identificação. “Queremos comunicar ao povo negro a ideia de pertencimento a esta terra”, destaca Vladimir. “A raiz afrodiaspórica é proeminente em todos os lugares onde o negro chegou, por que no sul do Brasil seria diferente?’” questiona.












