SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DIREITOS TRABALHISTAS

Senado aprova ratificação de protocolo da OIT sobre trabalho forçado; falta apenas a promulgação

O Senado Federal aprovou, no dia 1º de julho, o projeto de decreto legislativo (PDL) 323/2023, que ratifica o protocolo de 2014 relacionado à Convenção 29 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), voltado ao combate ao trabalho forçado ou obrigatório. A medida, já aprovada pela Câmara dos Deputados, agora aguarda promulgação. Com a ratificação, o Brasil reforça o compromisso com a erradicação de formas modernas de escravidão, como o tráfico de pessoas e a exploração de trabalhadoras e trabalhadores em condições degradantes.

Principais diretrizes do protocolo de 2014

O protocolo estabelece que os países-membros da OIT devem:

  • Adotar medidas eficazes para prevenir e eliminar o trabalho forçado;
  • Proteger as vítimas e garantir seu acesso à justiça e à reparação, inclusive compensações;
  • Aplicar sanções aos responsáveis;
  • Desenvolver políticas nacionais com consulta a organizações de empregadores e de trabalhadores;
  • Combater práticas abusivas no recrutamento, especialmente de migrantes;
  • Promover campanhas educativas e ações de devida diligência nos setores público e privado;
  • Assegurar que vítimas não sejam punidas por atos cometidos sob coerção;
  • Fortalecer a cooperação internacional na erradicação do trabalho forçado.

Compromisso histórico

Adotado durante a 103ª Conferência Internacional do Trabalho, o Protocolo de 2014 atualiza a Convenção 29 da OIT, de 1930, para os desafios contemporâneos. Entre as diretrizes estão medidas eficazes de prevenção, proteção às vítimas, combate ao recrutamento fraudulento e promoção de campanhas educativas, com destaque para a vulnerabilidade de mulheres, meninas, trabalhadores migrantes e crianças.

Condições análogas à escravidão

A realidade brasileira reforça a urgência do tema. Segundo o Radar da Inspeção do Trabalho (Radar SIT), mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2023, mais de 3 mil pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão. No mundo, segundo relatório conjunto da OIT, da Walk Free e da Organização Internacional para as Migrações, cerca de 28 milhões de pessoas viviam nessa situação em 2021.

Com a ratificação, o Brasil passa a integrar o grupo de 62 países que assumiram formalmente o compromisso de implementar o protocolo da OIT e se submeter ao seu sistema de supervisão, reforçando o papel do país na luta global contra a escravidão moderna.

Fontes: TST e Ministério do Trabalho e Emprego

Foto: MPT/MG