SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Maia faz nova ameaça de confisco de salários: agora quer jogar a população que precisa do auxí­lio emergencial contra os servidores

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a defender o corte dos salários dos servidores públicos dos três Poderes, demonstrando uma vez mais que a turbulência polí­tica não alcança a agenda econômica de Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes. Depois da “granada” do ministro da Economia, o presidente da Câmara quer usar a necessidade de milhões de brasileiros que precisam da prorrogação do auxí­lio emergencial para atacar os trabalhadores do setor público.

Nesta terça, 9, Maia afirmou que se todos os Poderes topassem cortar um percentual para garantir os R$ 600, eu tenho certeza que o Parlamento vai participar e vai defender . O deputado faz referência ao auxí­lio emergencial que o governo deveria estar pagando para milhões de trabalhadores, mas muitos ainda encontram dificuldades em receber. Paulo Guedes admitiu a ampliação do perí­odo de auxí­lio por mais dois meses, mas reduzindo o valor, que originalmente era de R$ 600, para R$ 300. Os já insuficientes R$ 600 podem virar R$ 300, e, para que isso não aconteça, Maia joga o custo sobre os servidores e defende o confisco salarial.

Maia, Bolsonaro e Guedes já defendem há muito tempo que os salários e outros direitos dos servidores e das servidoras sejam reduzidos. As declarações de Maia nesse sentido se encadeiam há meses, assim como projetos e propostas apresentadas pelo governo Bolsonaro.

Quem é o inimigo?

Desde o iní­cio da pandemia, são quase 2 milhões de novos desempregados no Brasil, além de muitos outros com contratos suspensos ou salários reduzidos, graças a medidas que Bolsonaro e Guedes, com apoio de parte do Congresso, tomaram para proteger os mais ricos às custas dos mais pobres. Enquanto o governo faz caixa para pagar os juros e amortizações da dí­vida pública e seguir abastecendo os banqueiros e especuladores, os trabalhadores e trabalhadoras são jogados à própria sorte.

Seguindo as orientações do Banco Mundial e capitaneado por Paulo Guedes, representante quase oficial dos banqueiros, o governo toma medidas que não ajudam a economia, desprotegem os trabalhadores e preservam os interesses imediatos dos mais ricos. Frente à crescente indignação popular, Bolsonaro, Guedes e Maia tentam criar, para os mais pobres, um inimigo imaginário, personificado nos servidores públicos. Assim, protegem a si mesmos e aos banqueiros, especuladores e grandes empresários e pavimentam o caminho para o desmonte dos serviços públicos. Os trabalhadores e as trabalhadoras de todos os setores saem prejudicados.

Estado de alerta para a retomada da mobilização

As alternativas reais para proteger a economia e os direitos da população não são sequer cogitadas pelo governo, já que, em vez do bolso dos trabalhadores, agiriam sobre fatias dos lucros estratosféricos dos ricos. O uso das reservas internacionais, a taxação das grandes fortunas e a revogação do congelamento de investimentos passam longe das intenções de Bolsonaro, Guedes e Maia.

O Sintrajufe/RS convoca a categoria a ficar em estado de alerta para a retomada da mobilização, mesmo que ainda à distância. Antes mesmo da pandemia, a PEC 186 (redução de salários em até 25%) já estava na pauta do governo. Agora, enquanto apenas observa o colapso da economia brasileira e o tombo do PIB deste ano, o governo quer retomar a reforma administrativa, acabar com a estabilidade e os concursos públicos. É preciso por fim a tudo isso.