SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

RIO DE JANEIRO

Juí­zes do TRT desligam câmeras em protesto contra corregedor regional; desembargador vê demonização

Na manhã dessa quarta-feira, 17, juí­zes e juí­zas do TRT1 (Rio de Janeiro) realizaram um protesto contra o que entendem ser um excesso de cobrança por resultados e metas por parte do corregedor regional do tribunal, desembargador Marcelo Augusto Souto de Oliveira. Parte dos magistrados desligou as câmeras de ví­deo durante a fala do corregedor durante um evento.

A manifestação ocorreu durante a abertura do XIV Fórum de Gestão Judiciária do TRT-1, para o qual foram convocados magistrados do trabalho da 1ª Região. A Amatra-1 e a Ajutra organizaram o protesto. Parte dos participantes, associados da Amatra-1, usou no lugar de seus nomes a frase-slogan Respeito ao 1º Grau . Outros, além disso, desligaram a câmera de ví­deo no momento da fala do corregedor. Os juí­zes associados à Ajutra, por sua vez, optaram por usar um fundo de tela com a mesma frase e o logotipo da associação.

Em sua fala durante o mesmo evento, a presidente da Amatra-1, Daniela Muller, disse que é preciso combater a gestão por estresse, implementada ao longo de 2023, onde a intensa e massacrante cobrança por resultado e alcance de metas é feita através de determinações dissociadas da nossa realidade material . Ela disse que, no último ano, as licenças médicas concedidas a magistrados do tribunal tiveram grande aumento e que o primeiro grau do TRT-1 se tornou um ambiente de trabalho adoecido . Afirmou, ainda, que há precariedade no sistema de audiências virtuais, entre outros aspectos que afetam a prestação de serviço ao jurisdicionado.

Já a presidente da Ajutra, que também discursou no evento, conclamou juí­zes e juí­zas a se levantarem em defesa dos nossos juí­zes de primeiro grau, a promover um ambiente saudável e de respeito e a trabalhar juntos para erradicar a injustiça que tem maculado nossa casa .

Segundo informação repassada à revista eletrônica Consultor Jurí­dico pela Amatra-1, proporcionalmente, o TRT-1 tem hoje a maior defasagem de julgadores na Justiça do Trabalho, com um total de 66 vagas de juí­zes substitutos não preenchidas.

Corregedor reputa crí­tica à demonização de metas

O corregedor criticou a posição dos juí­zes. De acordo com ele, no Rio há um costume de não se considerar metas, de demonizar metas, algo cultural do TRT1 . Na opinião do magistrado, a performance dos juí­zes ainda pode melhorar, aumentando o número de processos em pauta por semana. Atualmente, a maioria faz em torno de 40 audiências. Marcelo de Oliveira acredita que é possí­vel elevar esse número para entre 50 e 54. Mais um ponto de discórdia entre ele e as entidades associativas dos juí­zes. Meu compromisso é cumprir as metas do CNJ, rebatendo crí­ticas de morosidade da Justiça feitas por parcela da sociedade. Estou muito mais preocupado com as partes .

Com informações do Conjur