SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

CASO DE POLÍCIA

Fraudes em terceirizações na educação no RS são tragédias anunciadas; sindicato denuncia fracasso do modelo e cobra concurso público

Uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, na última sexta-feira, 12, cumpriu dez mandados de busca e apreensão relacionados a uma série de fraudes em licitações de terceirizações na área da educação. A terceirização é parte da agenda privatizante do governador Eduardo Leite (PSDB), que inclusive acaba de aprovar projeto para ampliar esse tipo de contratação no estado.

No caso desbaratado pela Polícia Civil nessa sexta, o alvo foram oito empresas que prestavam serviços de limpeza, merenda e cozinha para o governo do Rio Grande do Sul. Conforme o delegado Augusto Zenon, responsável pela investigação, os criminosos montaram um “esquema estruturado de manipulação de certames licitatórios (pregões eletrônicos e cotações eletrônicas de preços) realizados pelo Governo do Estado para contratação de prestação de serviços terceirizados (limpeza, copa, merenda, cozinha e outros)”. As empresas tinham os mesmos donos, mas, em sua lista de sócios, incluíam “laranjas”, como uma pessoa em situação de rua e um condenado por roubo. Assim, elas simulavam concorrência em licitações e manipulavam seus resultados. Houve concorrência conjunta dessas empresas em 175 lotes de licitações.

A investigação também apontou que as empresas não prestavam adequadamente os serviços contratados. Os problemas incluíam falhas na execução em si e também em questões trabalhistas. Em muitos casos, acabaram gerando passivos trabalhistas que acabam assumidos pelo Estado.

Na nota em que trata do caso, a Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul exalta a operação da Polícia Civil, mas não reconhece qualquer responsabilidade do governo e ainda celebra o projeto de lei recém enviado por Leite à Assembleia para ampliar as terceirizações. O projeto foi aprovado pelos deputados no dia 10 de dezembro. O texto, que tramitou em regime de urgência, visa implementar no estado “parcerias” por meio de “organizações sociais”, um tipo de associação privada, sem fins lucrativos, que recebe recursos e estrutura do Estado para prestar serviços públicos, como, por exemplo, na área da saúde. O governo reconhece uma entidade privada como Organização Social e esta passa, então, a poder receber benefícios do poder público, como dotações orçamentárias, isenções fiscais ou mesmo subvenção direta. É esse modelo que Leite quer aplicar no RS. Modelo, aliás, que tem longo histórico de problemas de corrupção em municípios de todo o Brasil.. Trata-se, na prática, de mais um projeto de terceirização e privatização do Estado e dos serviços públicos.

O projeto de Leite, recém aprovado na Assembleia, relaciona-se, nacionalmente, com a proposta de reforma administrativa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Com a PEC 38/2025, Motta quer dificultar a realização de concursos públicos e ampliar terceirizações, inclusive por meio de Organizações Sociais. A reforma busca desmontar a estrutura do Estado, os direitos dos servidores e os serviços públicos e, assim, abrir novos espaços para a privatização, que gera precarização e corrupção.

Após a operação da Polícia Civil, o Cpers/Sindicato, que representa os trabalhadores e trabalhadoras da educação no RS, emitiu nota defendendo que “educação não é mercadoria” e cobrando o fim das terceirizações: “Ainda que o governo Eduardo Leite (PSD) afirme não haver indícios de participação direta de integrantes da gestão estadual no esquema, os fatos escancaram, mais uma vez, o fracasso do modelo de terceirização imposto à educação pública. Trata-se de uma política que, além de precarizar as condições de trabalho, acumula um histórico de atrasos salariais, desrespeito às(aos) trabalhadoras(es) e prejuízos diretos à qualidade dos serviços ofertados à comunidade escolar. Agora, soma-se a isso um escândalo de corrupção que desvia recursos que deveriam ser destinados à garantia de uma educação pública digna e de qualidade”, diz a nota.

Com informações do portal G1

Foto: Seduc/AM