SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em comí­cio, Trump rejeita testes para esconder covid-19. Brasil já pode ser o primeiro do mundo em casos

Em comí­cio realizado no último sábado, 20, em meio à campanha presidencial dos Estados Unidos, o presidente estadunidense, Donald Trump, lamentou a grande quantidade de testes do novo coronaví­rus realizados no paí­s. Os Estados Unidos são o paí­s com mais casos e mais mortes pela doença no mundo, em uma situação que foi agravada pelo fato de Trump tentar, desde a chegada da pandemia, minimizar a crise sanitária, tendo criticado em diversas ocasiões medidas como o distanciamento social.

No comí­cio, Trump demonstrou descaso pelas vidas e pela saúde dos infectados: “Testar é uma faca de dois gumes. Testamos até agora 25 milhões de pessoas. Provavelmente são 20 milhões a mais do que qualquer outro paí­s. Aqui está a parte ruim: quando você faz tantos testes, encontra mais pessoas, encontra mais casos. Então, eu disse ao meu pessoal: diminuam os testes, por favor”, disse o presidente dos Estados Unidos. Ou seja: para ele, o problema não são as vidas perdidas ou as saúdes afetadas, mas encontrar mais casos. São quase 2,5 milhões de casos e 123 mil mortes no paí­s.

No Brasil, a polí­tica parece ser a mesma. Jair Bolsonaro (sem partido) vem fazendo pouco caso da pandemia desde o princí­pio e, enquanto o ví­rus segue avançando e fazendo milhares de ví­timas, o presidente continua defendendo a normalidade a qualquer custo e tratando as medidas de proteção como exagero . Sobre os testes, o que Trump externa como discurso Bolsonaro já vem pondo em prática: o Brasil é um dos paí­ses que menos testa, proporcionalmente, deixando às cegas quem procura construir medidas protetivas para a população.

A subnotificação brasileira em números: desastre anunciado e programado

O Brasil é o segundo paí­s do mundo com mais casos confirmados do novo coronaví­rus, atrás apenas dos Estados Unidos de Trump: já são 1,1 milhão, na última atualização do Worldometers. Também é o segundo em número de mortes, com 51.502 vidas perdidas, e o segundo com mais casos ativos, 471.824. Também nesses dois í­ndices estamos atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 123.126 mortes e 1,2 milhão de casos ativos confirmados.

Tudo isso em meio à grande subnotificação, que vem sendo apontada em reiteradas pesquisas acadêmicas, como a que vem sendo desenvolvida pela Universidade Federal de Pelotas. Esse estudo estima que o número de infectados é sete vezes maior do que o oficial. Ou seja, seriam mais de 7 milhões de infectados, quase o triplo dos casos confirmados nos Estados Unidos, tornando o Brasil o paí­s com maior número de pessoas que têm ou tiveram contato com o novo coronaví­rus.

Mesmo sendo o segundo paí­s em casos confirmados, em casos ativos e em mortes, o Brasil é apenas o 110º que mais testa, proporcionalmente à população, e o 10º em número absoluto de testes, com a metade da testagem absoluta de paí­ses como a Itália e a Espanha, por exemplo, que têm populações muito menoresa população da Espanha, por exemplo, é praticamente a mesma do estado de São Paulo. O Brasil testou 2,5 milhões de pessoas (e quase a metade está infectada), mais de dez vezes menos do que os Estados Unidos, que testaram 29,2 milhões.

A falta de testagem deixa o paí­s às cegas, esconde dados e prejudica a formulação de polí­ticas públicas de combate à pandemia, custando aos brasileiros milhares de vidas que poderiam ser poupadas. No Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, por exemplo, as medidas de flexibilização do distanciamento social, notadamente o distanciamento controlado criado pelo governador Eduardo Leite (PSDB), têm feito explodir os casos e as mortes por covid-19. Trata-se de polí­ticas que, além de flutuarem frente às pressões de setores do empresariado, tomam por base números irreais, desconsiderando as reais taxas de infecção da população.

Falta de transparência

O governo Bolsonaro tem atuado sem transparência desde o iní­cio da pandemia. As tentativas de maquiar números não são novidade, como apontamos em matéria publicada no iní­cio do mês. Bolsonaro tenta esconder números, criar confusão e, em vez de governar e enfrentar o problema, atua para escondê-lo e minimizá-lo. Segue, de forma ainda pior, sem testes, o caminho que Trump seguiu nos Estados Unidos e que levou os vizinhos do norte ao cenário desolador para o qual parecemos agora ser conduzidos.