SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

PRESSÃO CONTRA A REFORMA ADMINISTRATIVA

Em Cachoeira do Sul, base do deputado Marlon Santos (PDT), Sintrajufe/RS e outras entidades realizam ato cobrando o voto contra a PEC 32

O Sintrajufe/RS realizou, juntamente com outros sindicatos, centrais sindicais e movimentos populares, um ato nesta quarta-feira, 13, na cidade de Cachoeira do Sul, base eleitoral do deputado Marlon Santos (PDT). A manifestação teve como objetivo reforçar a luta contra a reforma administrativa (PEC 32) e cobrar de Santos um posicionamento contrário í  proposta “ posicionamento este já oficializado por seu partido, mas ainda não confirmado pelo deputado. Marlon fez 18.687 votos na cidade, 40% do total de sua votação em 2018. O ato foi convocado pela Frente dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul.

A mobilização repetiu o que foi feito nos últimos meses em outras cidades do interior do Rio Grande do Sul, buscando dialogar com a população dos locais onde alguns deputados tiveram a maior parte de seus votos. O mote se votar não volta vem sendo levado aos eleitores dos parlamentares com o objetivo de esclarecer a população sobre os prejuí­zos que a PEC trará a todos e todas se aprovada e de reforçar a posição de que os deputados e as deputadas que votarem a favor da proposta e pela destruição dos serviços públicos não podem voltar ao Congresso após as eleições marcadas para o ano que vem. Já foram promovidos atos semelhantes nas cidades de Santa Rosa (em frente ao escritório de Osmar Terra, do MDB), Osório (base de Alceu Moreira, do MDB), e Santa Cruz do Sul (base do deputado Marcelo Moraes, do PTB).

Ataques aos direitos da população e tentativa de compra de deputados

Durante o ato, diversos dirigentes de entidades representativas de servidores federais, estaduais e municipais se revezaram ao microfone. O diretor do Sintrajufe/RS Zé Oliveira destacou que o ato buscava esclarecer a população sobre o que a PEC 32 significa não apenas para os servidores públicos, mas para todos os que precisam do posto de saúde, da escola pública, do acesso í  Justiça. Deixarão de existir esses serviços prestados í  população. A estabilidade, com a qual a PEC 32 quer acabar, é um direito da população contra os desmandos do governo. O concurso público é um direito democrático de acesso contra os apadrinhados. Eles querem abrir as portas para botar seus apadrinhados . Assim, defendeu o dirigente, a luta contra a PEC é uma luta pela ampliação e melhoria dos serviços públicos, contra a destruição encaminhada pelo governo. E é a luta dos servidores que vem impedindo a votação e que a reforma seja aprovada pelo Congresso .

Também diretor do Sintrajufe/RS e da CUT/RS, Marcelo Carlini denunciou que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e o governo reservaram 6 bilhões de reais para comprar os votos dos deputados via emendas parlamentares, prometendo 20 milhões por cada voto a favor da PEC 32. Por outro lado, destacou Carlini, na semana passada a Polí­cia Federal deflagrou uma investigação sobre o Feirão das Emendas após descobrir que parlamentares levavam suas emendas í s Prefeituras mas exigiam, em troca, um retorno de parte dos recursos. Além disso, Carlini lembrou que, também na última semana, a luta contra a reforma recebeu um importante apoio, do ex-presidente Lula, que afirmou sua posição pelo não í  PEC 32. O dirigente também destacou que todos os apoios na luta contra a PEC serão comemorados. Nesse cenário, as mobilizações dos trabalhadores continuam dificultando as condições do governo para votar a proposta: Mesmo com 20 milhões para cada um, mesmo com as maracutaias, o governo até agora não conseguiu votar porque não tem voto , apontou. Ele lembrou ainda a votação sobre a convocação de Paulo Guedes í  Câmara para prestar esclarecimentos sobre seus investimentos em paraí­sos fiscais, votação na qual o governo obteve apenas 142 votos “ menos da metade dos necessários para aprovar a reforma. Não está resolvido, temos que lutar e na semana que vem vamos estar em Brasí­lia. Mas o fato é que é possí­vel vencer, é possí­vel derrotar a PEC 32, por isso vamos continuar a pressão , finalizou, depois de defender que quem votar a favor da reforma não volte para a Câmara, a exemplo do que ocorreu com a reforma trabalhista.

“O ato foi bom para possibilitar o diálogo com a população, conversar com as pessoas sobre os malefí­cios da reforma administrativa se for aprovada”, avaliou o diretor do Sintrajufe/RS Ramiro López. Para ele, também foi importante para fortalecer a unidade das servidoras e dos servidores públicos federais, estaduais e municipais, “em mais uma realização importante dentro desse quadro de necessária unidade dos trabalhadores, não só do serviço público, mas de usuários desse serviço”. Ao dizer isso, o dirigente destacou a presença de outras outras categorias da iniciativa privada, como bancários, e estudantes, que compareceram para dizer não í  PEC 32.

Unidade contra a PEC 32 e luta voto por voto

Ao longo da atividade, também estiveram presentes e falaram ao microfone representantes do Sintergs, Sindiágua, SindBancários, Sindisaúde, CSB, Partido dos Trabalhadores, UNE, Movimento Vacina Já, Sipron e Cpers. Em suas falas, os e as dirigentes destacaram que é preciso reforçar a luta para evitar a destruição dos serviços públicos, que estão cada vez mais precarizados, e que, para isso, a população precisa entender as grandes perdas que todos terão se a PEC for aprovada. Também caracterizaram a reforma como parte de um projeto amplo de diminuição do Estado e de piora da garantia de direitos í  população, projeto do qual fazem parte também as privatizações “ tanto no âmbito federal quanto no RS e nos municí­pios. Assim, também aproveitaram o ato para repisar o chamado para o Plebiscito Popular contra as privatizações (veja AQUI todas as informações).

No encerramento do ato, a presidente do Cpers, Helenir Schí¼rer, afirmou que a PEC 32 significa um grande retrocesso e lembrou que, quando não tinha concurso público, antes da Constituição de 88, para ganhar algum contrato com o Estado tinha que se comprometer com algum vereador, prefeito ou deputado. A PEC 32 traz isso de volta. Acaba o concurso público, passa a ser novamente contratos que tiram a impessoalidade do servidor público. E o servidor passa a ter compromisso com aquele que lhe deu contrato, e não mais com a população . Assim, concluiu, deputado que votar pela PEC 32 está tirando da população o direito í  saúde, í  educação, í  assistência social .

Faltam quatro votos para derrotarmos a PEC 32 na bancada gaúcha

Para derrotar a PEC na bancada gaúcha, faltam apenas quatro votos. Para aprovar na Câmara dos Deputados a reforma administrativa (PEC 32/2020), o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes precisa dos votos de três quintos do total de deputados e deputadas, ou seja, 308. Proporcionalmente, para alcançar três quintos dos votos da bancada do Rio Grande do Sul, o governo precisaria contar com 19 dos 31 parlamentares; ou seja, para derrotar a PEC na bancada gaúcha são necessários 13 votos. Até o momento, 9 deputados e deputadas do Rio Grande do Sul já garantiram voto contra a proposta. Assim, é preciso pressionar por pelo menos mais quatro votos em defesa dos serviços públicos e contra a PEC 32.

Veja abaixo os contatos do deputado Marlon Santos (PDT) e cobre o voto contra a PEC 32!