SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

CONDENARAM 13º EM 1962...

“A jornada deveria ser maior, não menor”: em editorial, O Globo condena fim da escala 6×1 e redução da jornada

“No atual nível de desenvolvimento do Brasil, a jornada deveria ser maior, não menor”. Esse é apenas um dos trechos em que o editorial do jornal O Globo, ataca as propostas que pretendem acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho. O texto foi publicado nessa segunda-feira, 27.

Desde o título e ao longo de todo o texto, O Globo não poupa adjetivos negativos para defender que os trabalhadores e as trabalhadoras do país trabalhem ainda mais. “PECs da escala 6×1 não passam de oportunismo”, diz o título, seguido pela ideia de que a medida seria “nefasta para a economia brasileira”. Essa afirmação não é apoiada em nenhum estudo. Ao contrário, como o Sintrajufe/RS já divulgou, estudos apontam diversos benefícios para a economia em caso de redução da jornada. Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp, autora do “Dossiê 6×1”, afirma que a redução da jornada de 44 para 36 horas poderia criar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade em cerca de 4%.

O Globo também fala em “demagogia”, “irresponsabilidade”, “populismo” e “açodamento”. Essa argumentação não se sustenta na realidade: a verdade é que a proposta da deputada Erika Hilton (Psol-SP) está para completar dois anos desde sua apresentação. Mais: o texto foi apensado a outra PEC, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), de 2019. E ainda mais: essa discussão remete à Constituinte de 1988, ou seja, o debate sobre o limite de 40 horas já dura quase 40 anos.

O Globo ainda caracteriza a visão dos defensores da mudança como “irrealista”, “distorcida”, “ingênua”, “embaraçosa” e uma “falácia”.

A conclusão do jornal, ao falar da realidade de outros países, é de que o Brasil não deve se mirar nos exemplos de redução de jornada e de escala, mas sim nos que aumentam a exploração sobre trabalhadores e trabalhadoras. Para O Globo, a razão da riqueza de alguns países é que eles “trabalharam muito”. Por esse raciocínio, a pobreza dos demais é porque trabalharam pouco. “Antes de mudar a legislação, economias avançadas trabalharam muito. Ficaram ricas e produtivas antes de reduzir horas trabalhadas. A redução foi sempre compensada com maior produtividade. Levando isso em conta, no atual nível de desenvolvimento do Brasil, a jornada deveria ser maior, não menor”, conclui o editorial.

“Considerado desastroso para o país um 13º mês de salário”

Em 17 de junho de 1962, o Brasil conquistou o bicampeonato na Copa do Mundo, em um 3 a 1 de virada contra a Tchecoslováquia. Naquele ano, a classe trabalhadora obteve uma importante vitória: a do 13º salário, gratificação garantida em lei sancionada, pelo governo João Goulart, em 13 de julho de 1962, depois de oito anos de mobilizações e greves, que culminaram em uma greve geral.

Uma capa de O Globo da época ficou marcada como um exemplo do tipo de posicionamento desse setor da imprensa: “Considerado desastroso para o país um 13º mês de salário”, dizia a manchete da capa, chamando para um texto nas páginas internas que dizia que a proposta fora “mal recebida nos meios econômicos e financeiros” e que teria “cunho meramente eleitoreiro”. Em uma dobradinha com os empresários, O Globo tentava impedir a aprovação do direito dos trabalhadores e trabalhadoras ao 13º com o mesmo tipo de argumentação que agora utiliza contra o fim da escala 6×1 e a redução da jornada.

Mobilizações do 1º de Maio irão defender fim da 6×1 e redução de jornada

As disputas em torno da pauta reforçam a importância da mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras. É por isso que, no dia 15, a CUT/RS e outras centrais sindicais realizaram, com participação do Sintrajufe/RS e de sindicatos de todo o país, a Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília. O fim da escala 6×1 esteve no centro da mobilização, que reuniu milhares de trabalhadores e trabalhadoras.

A sequência dessa luta será em 1º de maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. A data terá, no Rio Grande do Sul, atividades descentralizadas, com ações em cinco cidades do estado. Promovido pela CUT/RS e outras entidades sindicais, o “Festival dos Trabalhadores e das Trabalhadoras”, terá atividades em Porto Alegre, Caxias do Sul, Santa Maria, Passo Fundo e Pelotas, unindo apresentações culturais, feiras de economia solidária e a defesa de pautas essenciais para a classe trabalhadora. A data terá como eixo reivindicações como o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o combate à pejotização, a defesa e valorização dos serviços públicos, contra a reforma administrativa, o enfrentamento aos feminicídios e a defesa da democracia e da soberania nacional.