A CUT/RS, o Sindicato dos Metroviários (Sindimetrô/RS) e outras centrais sindicais se reuniram nessa segunda-feira, 27, com o presidente da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), Fernando Marroni, na sede da instituição. A audiência foi solicitada pelo Fórum das Centrais Sindicais no Rio Grande do Sul. Durante o encontro, as entidades reafirmaram a defesa unânime da empresa pública, que transporta passageiros entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, e exigiram a retirada da Trensurb da lista de empresas que constam no Programa Nacional de Desestatização (PND) para serem privatizadas. O fato de a Trensurb ainda não ter sido retirada do programa de privatizações gera enorme preocupação junto aos trabalhadores, às trabalhadoras, ao movimento sindical e à sociedade, advertiram os sindicalistas.
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Fundada em 1985, a Trensurb tem oferecido serviço público de trens com atendimento de qualidade à população gaúcha e contribui para impulsionar o desenvolvimento econômico e social do Estado. Em 2022, a Trensurb transportou 31,998 milhões de passageiros, uma média diária de 107 mil pessoas. O custo total da operação no ano passado foi de R$ 245 milhões, dos quais R$ 126 milhões são oriundos da tarifa cobrada do usuário, sendo o restante subsidiado pelo governo federal. Atualmente, a tarifa do trem é de R$ 4,50.
Trensurb não tem que dar lucro
O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, destacou que a Trensurb não tem obrigação de dar lucro, reforçou a importância do metrô social e defendeu investimentos na sua expansão para outros municípios da região metropolitana e a criação de uma tarifa zero como uma política inclusiva para atender os desempregados. Para ele, é necessário ampliar o debate para conscientizar toda a população sobre os malefícios da privatização e defender a Trensurb pública: As centrais têm a visão de um sistema de transporte que favoreça o povo trabalhador e, por consequência, o próprio setor econômico, que também se beneficia. Queremos mobilidade, lutamos pela Trensurb social, pública, estatal e a serviço da sociedade , defendeu Amarildo. Ele lembrou também que o Estado possui uma fábrica de ônibus elétricos que poderiam integrar o sistema de transporte de massas.
Segundo o dirigente sindical, o transporte coletivo sobre trilhos representa uma alternativa eficiente e de menor custo, superando qualquer outro modal disponível. Os exemplos de serviços privados, por sua vez, são geralmente precários, prejudicando a mobilidade da classe trabalhadora: A privatização da Trensurb acarretaria a entrega de direitos fundamentais da população para as mãos de empresas privadas focadas exclusivamente no lucro, enquanto os subsídios do governo continuariam mesmo após a privatização , ressaltou o presidente da CUT/RS.
O presidente do Sindimetrô/RS, Luís Henrique Chagas, enfatizou o apoio das centrais sindicais e frisou a importância da Trensurb pública. Ele lembrou o movimento global de reestatização das linhas de trens e metrô, citando como exemplos as cidades de Chicago, nos Estados Unidos, e de Londres, na Inglaterra.
Os sindicalistas alertaram o presidente da Trensurb de que a ideia de estadualização da Trensurb não serve para a classe trabalhadora, uma vez que o governador Eduardo Leite (PSDB) defende o projeto neoliberal e poderia encaminhar o processo de privatização. Foi lembrado que o governo tucano já entregou várias empresas públicas para a iniciativa privada, como a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a Companhia de Gás do Rio Grande do Sul (Sulgás) e, mais recentemente, a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), cujo leilão foi anulado pela Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) em 24 de outubro por conta de várias irregularidades.
O presidente da Trensurb reconheceu o transporte como um direito constitucional e disse que não há garantias sobre o futuro da Trensurb como empresa pública e estatal. Para Amarildo, é preciso aumentar a mobilização para pressionar o governo federal a retirar a Trensurb do programa de privatizações, a fim de barrar definitivamente a ameaça de entrega da empresa para a iniciativa privada .
Empresas retiradas da lista de privatização
Em abril, o governo Lula (PT) já havia retirado sete estatais da lista de privatizações criada pelo governo Bolsonaro. O presidente afirmou que não irá privatizar nenhuma empresa estatal em seu mandato.
Foram retiradas do Programa Nacional de Desestatização: Correios, Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), Nuclebrás Equipamentos Pesados. (Nuclep), Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec). Três empresas foram retiradas do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI): a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás NaturalPré-Sal Petróleo (PPSA) e a Telecomunicações Brasileiras (Telebras).
Nesta terça, São Paulo vive greve contra a privatização dos transportes, da água e do esgoto
Em São Paulo, o governo de Tarcísio de Freitas (REP) quer privatizar a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o Metrô e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Frente a essa ameaça, nesta terça-feira os trabalhadores e trabalhadoras dessas empresas estão em mais um dia de greve. À tarde, está sendo realizado ato em frente à Assembleia Legislativa.
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: CUT/RS













