SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

EFEITO DA PRIVATIZAÇÃO

Dias seguidos sem energia elétrica no Sintrajufe/RS não são caso isolado onde o setor é privatizado

Na última semana, o Sintrajufe/RS foi obrigado a suspender o atendimento presencial aos sindicalizados e sindicalizadas de terça até sexta-feira, 24. O motivo foi a falta de energia elétrica e a demora da empresa privada que gere o setor em restabelecer a energia.

Na terça-feira, o sindicato amanheceu sem energia devido ao furto de cabos de eletricidade em frente à sede, que fica na rua Marcílio Dias, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. A solução do problema foi longa por conta da demora por parte da CEEE Equatorial e também pela responsabilização sobre o dano, que foi repassada ao Sintrajufe/RS, já que o furto se deu em fios localizados junto ao chão. Por tudo isso, não foi possível atender os e as colegas durante toda a semana e o atendimento só foi restabelecido nesta segunda-feira, 27.

Quem vive no Rio Grande do Sul sabe as dificuldades encontradas a cada queda de energia, a demora costumeira no restabelecimento e a grande frequência em que essas situações ocorrem. Os motivos são diversos, de chuvas e ventos ao furto de cabos. De uma forma ou de outra, não costuma ser fácil fazer contato com a CEEE Equatorial, nem conseguir a energia de volta.

O setor de energia no estado foi privatizado em 2021. Naquele ano, a Equatorial arrematou o braço de distribuição da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), em leilão promovido pelo governo Eduardo Leite (PSDB), por apenas R$ 100 mil. Em poucos meses, a empresa demitiu quase a metade de seus funcionários e terceirizou grande parte das atividades. Com diversas denúncias de assédio moral, adoecimento e até morte de trabalhadores, a Equatorial, em sua operação no RS, vem ampliando seus lucros enquanto a população sofre com crescentes problemas no fornecimento de energia, com repetidas e longas quedas de luz que atingem centenas de milhares de pessoas. O mesmo cenário aparece em outras operações da Equatorial, como no Maranhão e no Amapá.

Melo quer privatizar também a água

Em Porto Alegre, outro setor em risco é o de abastecimento de água e tratamento de esgoto. No dia 23 de outubro, os vereadores e vereadoras da base do prefeito Sebastião Melo (MDB) aprovaram a privatização do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae). O projeto aprovado, de autoria do Executivo, prevê entregar a uma empresa privada a distribuição de água e o tratamento de esgoto da cidade. O texto mantém com a prefeitura a captação e o tratamento de água, a drenagem urbana e os sistemas de proteção contra cheias. O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e outras entidades têm apontado que a experiência de privatização da água em outras cidades mostra que a tendência é de aumento das tarifas para a população e piora nos serviços.

Com a aprovação, acelera-se um processo que deve demorar cerca de um ano para ser concluído, segundo a Prefeitura. Nesse tempo, haverá modelagem da privatização pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a realização de audiências públicas, a análise pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a publicação do edital. Nesse período, a luta para barrar a privatização deve continuar.

Recentemente, o Sintrajufe/RS foi uma das entidades signatárias do manifesto da Frente em Defesa da Água e do Dmae Público e Estatal que alerta a população de Porto Alegre sobre os riscos à preservação de um direito fundamental: o acesso à água e ao saneamento básico. O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre está realizando um plebiscito popular com o tema “O Dmae é do povo de Porto Alegre”. Participe acessando AQUI.