Na live Minha vacina chega quando? , realizada pelo Sintrajufe/RS no dia 25, a médica infectologista, diretora do Sindicato dos Médicos de SP e da CUT/SP, Juliana Salles, afirmou que o caos na saúde brasileira é resultado da falta de investimentos no setor. A live contou, também, com a participação do médico e professor da USP Gonzalo Vecina Neto, fundador e ex-presidente da Anvisa, e teve como mediador o médico especialista em saúde pública e integrante da assessoria de saúde do Sintrajufe/RS, Geraldo de Azevedo e Souza Filho.
Ao falar sobre as notícias que mostram o desespero de doentes e familiares, Juliana Salles alertou que não faltam somente vacinas, sedativos e oxigênio nos hospitais, mas insumos básicos para tratar os pacientes. Ela avaliou que, desde a crise econômica de 2008, a aplicação de políticas recessivas reduziu o financiamento de políticas públicas em saúde, moradia e outras áreas essenciais. Salles citou a emenda constitucional 95/2016, aprovada na sequência do golpe parlamentar que depôs Dilma Rousseff e que trouxe como uma de suas consequências a redução de gastos em áreas básicas, como o Sistema único de Saúde (SUS). Os resultados são vistos agora. A infectologista ressaltou que pode haver um colapso em cadeia nas próximas semanas no país: temos muito a lutar neste momento, pelo SUS público e vacina para todos e todas .
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A médica também alertou para o contágio. Cerca de 50% das transmissões se dão por pessoas assintomáticas, e o governo não fez qualquer movimento para promover a testagem em massa, rastrear e atacar essa rede de transmissão, afirmou. Juliana Salles ressaltou que, se a situação seguir nesse ritmo, o país vai demorar três anos para vacinar 90% da população.
Além disso, afirmou, durante a pandemia o governo não aplicou medidas que poderiam garantir o isolamento, as pessoas tiveram de sair de suas casas ou por estarem desempregadas ou em empregos precários. O governo também não aproveitou para alavancar as indústrias têxteis (equipamentos, máscaras) e químicas (testes, vacinas), ressalta a médica. Ou seja, faltaram investimento na ciência, para a produção de vacinas, e faltou a utilização da estrutura já existente na indústria.
Sobre questões mais amplas no enfrentamento da pandemia, a infectologista defendeu a manutenção do auxílio emergencial, mas ressaltou que este não pode ser pago por meio da retirada de dinheiro da saúde e da educação, pois é justamente quem recebe o auxílio que mais utiliza esses serviços públicos. Salles também defendeu a taxação de grandes fortunas, explicando que quem tem que arcar com os prejuízos da pandemia é quem não passa fome .













