SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

FAKE NEWS

Ví­deos com notí­cias falsas de “chupa cabras” em urnas voltam às redes junto com onda de ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo notí­cia, nesta segunda-feira, 23, que ví­deos que circularam em 2018 com mentiras sobre as eleições voltaram às redes sociais nas últimas semanas. As notí­cias falsas buscam desacreditar o sistema eleitoral, na esteira dos ataques que Jair Bolsonaro (PL) vem disparando contra a democracia.

Conforme o jornal, os ví­deos falam, por exemplo, sobre um suposto dispositivo eletrônico que transferiria votos de um candidato para outro. Outro ví­deo fala sobre vulnerabilidades que teriam sido descobertas nas urnas. Outro, ainda, trata de urnas eletrônicas que teriam registrado votos antes da abertura oficial das votações. Todos esses ví­deos são falsos e tratam de problemas que não existem. Em relação ao dispositivo que transferiria votos, a urna só reconhece equipamentos USB autorizados pela Justiça Eleitoral, não lendo nem executando arquivos que estejam em outros dispositivos. Em relação às vulnerabilidades apontadas no segundo ví­deo, elas foram percebidas na fase de testes realizada sempre pelo TSE, e corrigidas. A verdade é que não existe nenhuma comprovação de fraude no sistema eletrônico de votação desde sua adoção, em 1996.

“Apuração paralela” de militares e “sala secreta”

Em uma escalada golpista para a qual busca desacreditar o processo eleitoral, as falas de Bolsonaro estimulam a crença de muitos em mentiras como essas. Cria-se um ambiente que coloca em risco a própria democracia. Em abril, Bolsonaro chegou a pedir uma apuração paralela de votos pelos militares, com um computador próprio. Ele chegou a dizer que os votos eram apurados em uma sala secreta do TSE, o que é mentira. A apuração dos resultados é feita automaticamente pela urna eletrônica logo após o encerramento da votação. Nesse momento, a urna imprime, em cinco vias, o Boletim de Urna (BU), que contém a quantidade de votos registrados na urna para cada candidato e partido, além dos votos nulos e em branco. Uma das vias impressas é afixada no local de votação, visí­vel a todos, de modo que o resultado da urna se torna público e definitivo. Vias adicionais são entregues aos fiscais dos partidos polí­ticos. Na sede do tribunal, em Brasí­lia, é feita contagem desses votos apurados nas urnas. Essa foi, portanto, apenas a mais recente de uma série de mentiras e ataques contra o sistema eleitoral.

A diretora do Sintrajufe/RS Marcia Coelho, servidora da Justiça Eleitoral, lembra que a enxurrada de mentiras e ví­deos falsos que a Justiça Eleitoral desmente todos os dias é enorme. Os absurdos propagados pelo chefe do Executivo são repetidos por alguns de seus seguidores aos servidores da JE das formas mais grosseiras. Esses acontecimentos, mentiras e agressividade, geram desgaste e insegurança nos servidores quando projetam os trabalhos a serem executados nessas eleições. Os ataques orquestrados pelo presidente visam esse desgaste dos servidores e também do processo eleitoral .

Ação do Sintrajufe/RS aguarda decisão do TRF4; Judiciário está com a palavra

Os ataques de Bolsonaro e suas tentativas de gerar desconfiança sobre as eleições, apontando até mesmo para o não reconhecimento dos resultados e para soluções de força, não começaram agora. Pelo contrário, se repetem pelo menos desde o iní­cio do ano passado. Desde lá, alternam-se perí­odos de aparente calmaria com declarações explosivas que buscam tumultuar o cenário polí­tico e o pleito marcado para outubro.

Contra essas declarações, o Sintraufe/RS ingressou, em julho de 2021, com ação judicial pedindo que a Justiça determine que Bolsonaro se abstenha de divulgar ou fomentar conteúdos que sugiram fraudes nas eleições organizadas pela Justiça Eleitoral. Em setembro do mesmo ano, o desembargador Victor Laus, do TRF4, indeferiu o agravo de instrumento com pedido de efeito suspensivo. A ação também foi derrotada em primeira instância, mas o Sintrajufe/RS recorreu e, em 20 de março deste ano, o recurso foi distribuí­do ao TRF4 para tramitação em segunda instância, sendo o desembargador Victor Laus designado como relator.