O governo brasileiro classificou como “inaceitáveis” e “ofensivas” as declarações do secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, sobre o Brasil. O político publicou uma mensagem em rede social, logo após o anúncio da nova tarifa 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, afirmando que “Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé”. De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, chanceler Mauro Vieira, “todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade”.
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Os EUA anunciaram, dia 15, a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida passa a valer a partir do próximo dia 22. O relatório do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) que fundamenta a proposta de sobretaxar produtos produzidos no Brasil destaca, como um dos motivos, o Pix, envolvendo os interesses das empresas operadoras de cartões, como Visa e Mastercard. Outra razão alegada são as decisões do Judiciário brasileiro relacionadas à “remoção de conteúdos políticos”.
Em pronunciamento nessa quinta-feira, 16, o chanceler Mauro Vieira afirmou que as críticas de Rubio representam uma tentativa de pressionar o país politicamente e justificou a posição do governo brasileiro diante da imposição das novas tarifas. Na nota, Vieira afirma que as investigações que levaram ao aumento “são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para a adoção de tarifas”.
Vieira explica que, desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone com autoridades estadunidenses. Antes até, portanto, do tarifaço original, anunciado em 2 abril do ano passado.
Ao reforçar que “desde o primeiro momento, o Presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou sua disposição de negociar qualquer tema”, o chanceler brasileiro entende que as declarações de Rubio “são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro”, pois ataca, “de forma grosseira e arrogante, o Chefe de Estado de um país amigo”.
Na avaliação de Vieira, “o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”. Entre elas, citou demandas de abertura “total, irrestrita e exclusiva” de setores da economia brasileira, sem qualquer contrapartida. “Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, diz o chanceler.
O início das sanções dos EUA contra o Brasil
Em 9 de julho de 2025, o governo Trump aplicou um tarifaço de 50% contra o Brasil. Em carta dirigida ao presidente Lula, Trump citou diretamente o processo contra Jair Bolsonaro e criticou o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal. A tarifa foi encerrada em 20 de fevereiro de 2026.
O principal articulador da pressão em Washington foi Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal pelo PL de São Paulo e filho do ex-presidente. Trump vinculou expressamente o tarifaço ao processo judicial contra Jair Bolsonaro e exigiu que o julgamento fosse interrompido.
Com informações da CUT Brasil
Foto: Divulgação/Casa Branca















