SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

SAÚDE NA PANDEMIA

Sintrajufe/RS apresenta resultados de pesquisa de saúde que avaliou condições de trabalho e saúde da categoria na pandemia

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Na última quinta-feira, 4, o Sintrajufe/RS realizou a apresentação dos resultados finais da pesquisa de saúde realizada pelo sindicato para avaliar as condições de trabalho e saúde da categoria durante a pandemia, com a predominância do trabalho remoto. Online, pela plataforma Google Meet, a reunião foi conduzida pela diretora do Sintrajufe/RS Cristina Viana e os dados foram apresentados pelo médico do trabalho e integrante da assessoria de saúde do sindicato, Geraldo Azevedo, contando também com intervenções da pesquisadora da ENSP/Fiocruz, integrante do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde, Maria Juliana Moura Corrêa.

Azevedo apresentou os resultados da pesquisa, destacando dificuldades que foram enfrentadas no período. É o caso, por exemplo, de problemas identificados referentes a móveis e equipamentos adequados para o trabalho. As dores decorrentes do trabalho aumentaram para 52,8% dos respondentes. Além disso, para 40,5%, a duração da jornada de trabalho aumentou, assim como o trabalho nos finais de semana (35,5%).

A pesquisa também questionou sobre diversas situações vividas na pandemia, como sobrecarga de trabalho, limites confusos entre trabalho e lazer, conciliação do trabalho com tarefas domésticas, entre outros. Veja abaixo o quadro com esses resultados:

Entre os sentimentos vivenciados pelos servidores e servidoras, 64,5% responderam que têm sofrido com ansiedade, índice seguido por saudade de familiares e amigos (46,1%), exaustão (40,9%) e impaciência (38,1%). Além disso, 76,9% não se disseram seguros para retornar ao trabalho presencial.

Veja AQUI os slides com os dados completos e as análises.

Preocupações

Após a apresentação, a pesquisadora Maria Juliana Moura agradeceu a parceria entre o Sintrajufe/RS (via Secretaria de Saúde e Relações de Trabalho) e a Fiocruz. Ela ressaltou que, com a pandemia, houve uma enorme mudança nas diferenças no trabalho entre mulheres e homens, já que em muitos casos as mulheres ficam sobrecarregadas ainda com as tarefas domésticas. Conforme Moura, ainda não sabemos a dimensão do que vai vir a partir dessas mudanças.

A seguir, alguns colegas que participavam da atividade fizeram considerações sobre os resultados apresentados e relataram situações vividas pessoalmente ou por colegas e amigos, compartilhando preocupações e expectativas. Colegas demonstraram preocupação com a perda de direitos trabalhistas em meio à pandemia e no trabalho remoto, dando como exemplo o que poderia acontecer em caso de um acidente de trabalho ocorrido dentro de casa. Falaram também as diretoras do Sintrajufe/RS Arlene Barcellos, Mara Weber e Luciana Krumenauer, e o diretor Zé Oliveira. Em suas intervenções, trataram de temas como a qualidade das pausas que são feitas no trabalho remoto (prejudicadas, por exemplo, por atividades domésticas), as dificuldades enfrentadas pelas mulheres com a mistura do trabalho e das tarefas dométicas, e os problemas causados pela falta dos vínculos sociais estabelecidos no ambiente laboral.

A pesquisa

A coleta de dados da pesquisa, intitulada “Trabalho Remoto Compulsório e sob Confinamento” ocorreu entre outubro de 2020 e março de 2021. Foi desenvolvida a partir do recebimento, pelo sindicato, de diversos relatos de servidores e servidoras sobre as percepções acerca do novo tipo de trabalho, que não era mais exercido presencialmente, mas, de forma remota, em virtude da pandemia.

O trabalho integra um projeto mais amplo, em parceria com a Fundação Fiocruz e o Departamento Intersindical Estudos Pesquisas de Saúde e Ambiente de Trabalho (Diesat), um monitoramento de efeitos da pandemia que se estenderá para além do período de isolamento.

As questões foram elaboradas a partir da escuta de servidores e servidoras do Judiciário Federal e do MPU no RS. Foi uma pesquisa de amostragem, com 462 participantes, que levantou questões relevantes acerca das condições de trabalho da categoria.

Depois de preenchidos, os questionários foram enviados a uma base de dados da entidade para posterior análise. O Sintrajufe/RS contratou a estatística Cristiane Bündchen, que analisou e compilou os dados. Depois dessa etapa, o material foi repassado à assessoria de saúde, composta pelas médicas Ana Achutti e Virgínia Dapper e pelos médicos Geraldo Azevedo e Rogério Dornelles (que faleceu em junho deste ano).

Em maio de 2021, o médico Geraldo Azevedo apresentou os resultados preliminares na Jornada de Formação intitulada “A Saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras ameaçada: trabalhar sim, adoecer não”. A atividade foi composta por seis eventos abordando a saúde em diversos aspectos.