SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

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Nos Estados Unidos, Amazon enfrenta “levante” de trabalhadores contra precarização; piora nas condições de trabalho também é realidade no Brasil

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Desde o final do ano passado, protestos e denúncias contra as condições de trabalho na Amazon têm ganhado força nos Estados Unidos. Nas últimas semanas, a rede de ações se intensificou: a partir de um processo movido por uma funcionária de um depósito da empresa na Califórnia, outras ações judiciais foram anunciadas e há, agora, a possibilidade de que o caso seja registrado como uma ação coletiva. Na pauta, a precarização do trabalho, que inclui até mesmo casos de trabalhadores e trabalhadoras sendo obrigados a urinarem em garrafas.

Entre as denúncias, também consta, por exemplo, a limitação e inviabilização do horário de almoço. A ex-funcionária da Amazon Lovenia Scott, autora do processo aberto em fevereiro, afirma que ela e seus colegas de trabalho não podiam fazer intervalos completos de 30 minutos para refeições. Além disso, conta que vários funcionários saiam para almoçar no mesmo horário, provocando grandes filas em frente ao cartão ponto e fazendo com que perdessem, assim, até a metade do tempo previsto. De acordo com o processo aberto por ela, os funcionários também eram obrigados a levar walkie-talkies para os intervalos de almoço para garantir que poderiam ser encontrados e suas tarefas serem gerenciadas. Em caso de atraso no retorno, havia dedução do salário.

Ao mesmo tempo, em um depósito da Amazon na cidade de Bessemer, também nos Estados Unidos, milhares de trabalhadores tentam criar um sindicato próprio – nos Estados Unidos, os sindicatos não são apenas por categoria, mas por local de trabalho. Uma votação foi realizada no dia 30 de março e os resultados ainda estão sendo apurados. Caso o sindicato seja aprovado, será o primeiro na Amazon, uma conquista que pode impulsionar lutas mais amplas contra a precarização do trabalho na empresa e fora dela. Entenda AQUI (em inglês) o conflito.

Brasil

No Brasil, a precarização do trabalho foi legalizada com a reforma trabalhista aprovada pelo governo de Michel Temer (MDB) em 2017. Naquele momento, foram liberadas práticas perversas para trabalhadores e trabalhadoras, retirando direitos e garantias legais e deixando para os patrões as decisões sobre formas de contratação, retirando qualquer nível de segurança de quem trabalha. A ampliação da terceirização vai no mesmo caminho, com trabalhadores cujo presente e futuro torna-se crescentemente incerto e desprovido de direitos. Sob o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) esse processo dá novos passos, com o desmonte dos serviços públicos, a permissão para a suspensão de contratos ou para reduções salariais e o aumento do desemprego, que tem jogado milhões de trabalhadores e trabalhadoras na informalidade.

A “uberização” do trabalho no mundo vem sendo combatida, mas ainda com graves entraves. Embora no Reino Unido a luta dos trabalhadores do Uber tenha conquistado salário mínimo, férias remuneradas e direito à aposentadoria, no Brasil a Justiça ainda não reconhece o vínculo entre os trabalhadores de aplicativos e as empresas que os empregam de forma precária. No ano passado, em busca desse reconhecimento, entregadores vinculados a aplicativos chegaram a realizar paralisações, em uma luta que continua e que se relaciona não só com as novas empresas, mas com os novos modelos de produção que as antigas tentam aplicar para ampliar sua margem de lucro – as mesmas lógicas que alguns setores buscam implementar nos serviços públicos, nesse caso para liberar recursos para o mercado financeiro.

Com informações de UOL, CNN e BBC.

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