SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

TUTELA

Militares de Bolsonaro querem utilizar boletins impressos de urna para “apuração paralela”

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O jornal O Estado de S. Paulo noticia nesta segunda-feira, 8, citando como fontes integrantes do Ministério da Defesa, que os militares discutem como realizar uma contagem paralela dos votos, com os boletins de urna impressos. Os boletins de urna são registros do resultado das votações em cada equipamento, impressos ao final das votações. Os mesmos dados ficam registrados digitalmente nas urnas, embaralhados para impedir a identificação de como votou cada eleitor ou eleitora. Outra alternativa analisada pelos militares seria conseguir acesso aos dados retransmitidos pelos tribunais regionais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Estadão informa ainda que a decisão de realizar uma contagem paralela ainda não foi oficializada e estaria dependendo de uma “decisão política a ser transmitida pelo ministro da pasta, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira”. A contagem paralela seria uma das diversas etapas do “plano de fiscalização” estimulado por Jair Bolsonaro (PL) e assumido pelas Forças Armadas.

São tentativas de tutelar o processo eleitoral pelos militares e, ao mesmo tempo, de desacreditar as eleições caso Bolsonaro seja derrotado. A preparação de um golpe que passa pelo ataque à credibilidade, à honestidade e à seriedade do trabalho dos servidores e servidoras da Justiça Eleitoral. Nenhuma das acusações de fraude lançadas por Bolsonaro foi comprovada. Por conta dos ataques aos servidores, na última semana o “Apagão do Judiciário”, dia de mobilizações promovido nacionalmente pela Fenajufe e, no Rio Grande do Sul, pelo Sintrajufe/RS, teve como pauta, além da campanha salarial, a defesa dos servidores e servidoras da Justiça Eleitoral.

TSE exclui de grupo de fiscalização coronel que divulgou fake news sobre urnas

Nesta segunda-feira, 8, o TSE enviou à Defesa ofício informando que o coronel do Exército Ricardo Sant’Anna, um dos nove militares que integram o grupo oficial de fiscalização do processo eleitoral aberto pelo tribunal, foi excluído desse grupo. O motivo é a divulgação pelo coronel, em redes sociais, de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas.

Conforme matéria publicada na semana passada pelo portal Metrópoles, “as publicações do coronel Ricardo Sant’ana seguem a linha do discurso propalado pelo presidente da República e por seus apoiadores. (…) Alguns posts compartilhados pelo militar com seus seguidores no Facebook envolvem, inclusive, questionamentos à integridade do próprio sistema de votação adotado pelo TSE. Uma publicação de Sant’ana chegou a ser marcada pela rede social como ‘informação falsa’”.