SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

DESIGUALDADE

Fome cresce no Brasil e mais da metade da população não tem garantia de comida à mesa, enquanto 11 brasileiros estreiam em lista de bilionários

Ler conteúdo

Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) divulgados nessa terça-feira, 6, trazem um panorama da tragédia social que se abate sobre o Brasil: mais da metade da população brasileira não tem garantia de alimentação suficiente e 19 milhões passam fome. No mesmo dia, a revista Forbes divulgou sua lista de bilionários, com 11 novos brasileiros sendo incluídos no grupo – agora, são 57 residentes no país com fortuna maior do que 1 bilhão de dólares.

Os dados referentes à fome fazem parte do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado em dezembro de 2020. A pesquisa identificou que 19 milhões de brasileiros e brasileiras passaram fome no último período, o dobro do que foi registrado em 2009. O estudo indicou ainda que 55,2% dos lares brasileiros, o correspondente a 116,8 milhões de pessoas, conviveram com algum grau de insegurança alimentar no final de 2020. Isso em um momento de pagamento do auxílio emergencial – inicialmente, com R$ 600, e, no momento da pesquisa, R$ 300. Hoje, o auxílio foi retirado de boa parte dos beneficiários anteriores e teve seu valor ainda mais reduzido, apesar do agravamento da crise, sendo suficiente para comprar apenas meio bife, meio copo de leite e três colheres de arroz, segundo o Dieese.

Rostos da fome

À Agência Brasil, o presidente da Rede Penssan, Renato Maluf, o quadro revelado pelo inquérito é fruto da pandemia e da falta de políticas que melhorassem a situação. “É preciso assegurar que a alimentação escolar seja oferecida no mesmo padrão e com a mesma amplitude de quando as escolas estavam funcionando regularmente”, sugeriu. Para isso, os governos federal, estaduais e municipais não devem retroceder no fornecimento da alimentação escolar, como vem acontecendo em vários lugares.

Renato Maluf salientou que o inquérito “dá rosto à fome”. Por exemplo, os domicílios em que a pessoa responsável é uma mulher apresentam insegurança alimentar grave, isto é, ocorrência de fome, muito superior à média nacional. Argumentou que, se essa pessoa responsável for uma mulher, de cor preta ou parda e de baixa escolaridade, essa insegurança é ainda maior. “Portanto, a condição feminina, cor da pele e escolaridade são determinantes da ocorrência da fome nos domicílios”.

Durante a pandemia, a insegurança alimentar afetou também os não pobres, com renda familiar per capita (por indivíduo) superior a um salário mínimo, constatou a pesquisa. A proporção de domicílios em situação de insegurança alimentar leve subiu de 20,7%, em 2018, para 34,7%, dois anos depois, mostrando que a classe média não foi poupada dos efeitos da pandemia. “Nós estamos falando do trabalho informal, do trabalho precário, do trabalho mal remunerado. É uma situação de agravamento que não é sinônimo de fome, mas é sinônimo de alimentação comprometida”.

Perspectiva de piora

Em 2021, tudo aponta para a piora desse quadro. O país vive o agravamento da crise sanitária, a alta do desemprego – que atinge mais de 14,3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras – e a disparada dos preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) constrói políticas de desmonte do que dá suporte à população mais vulnerável. As ações de ataque aos serviços públicos, o congelamento de gastos, a precarização do trabalho de servidores e servidoras, a redução de postos de trabalho, a falta de investimento no SUS, o apagão de dados que poderiam dar suporte a políticas de combate à fome, tudo faz parte de um projeto genocida e autoritário que encontra, na pandemia, um impulso. A crise sanitária é utilizada como pretexto para desmontar os serviços públicos e retirar direitos da população, de forma que a crise econômica, em vez de vislumbrar saídas, é agravada.

O Sintrajufe/RS tem participado de ações de solidariedade que visam mitigar o problema da fome e da falta de assistência. Assim, o sindicato vem apoiando, por exemplo, as ativides do Clube da Sopa, que distribui marmitas em Porto Alegre. O Sintrajufe/RS também faz parte de ações conjuntas com outras entidades, como a campanha Ajudando quem Precisa, em parceria com a Amatra IV e o TRT4, e as ações do Comitê Popular em Defesa do Povo e Contra o Coronavírus.

Ao mesmo tempo, é preciso ter a consciência de que o caminho da tragédia que só poderá ser mudado com muita luta por parte de trabalhadores e trabalhadoras. Neste momento, isso passa pela defesa de vacina já para todos, gratuita e pelo SUS, testagem em massa, pelo combate à reforma administrativa e pelo fim do governo Bolsonaro, o quanto antes.

Com informações da CUT, Agência Brasil e G1.

FALE CONOSCO

Font Resize
Contraste