SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

EXTREMOS

Filho do presidente passeia em Dubai fantasiado de sheik: um deboche com brasileiros que fazem fila para comer sobras de caminhão de lixo

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Os integrantes do governo Bolsonaro e seus parentes já não disfarçam mais seu desprezo com milhões de brasileiros e brasileiras passam fome. Mas isso não é novidade: eles repetem o que fizeram em relação aos 600 mil mortos pela Covid-19. Nesta segunda-feira, 18, o filho de Jair Bolsonaro, Eduardo, deputado pelo PSL de São Paulo, publicou fotos fantasiado de sheik em Dubai, onde está como parte de uma comitiva enviada pelo governo brasileiro. No mesmo dia, causou indignação um vídeo no qual diversas pessoas se aglomeram para procurar restos de comida em um caminhão de lixo. O caso aconteceu em Fortaleza, mas situações como essa têm se repetido em todo o país.

O vídeo foi gravado no bairro Cocó, na capital do Ceará, próximo a um supermercado. Em entrevista ao portal G1, um funcionário do supermercado disse que a cena é comum no local, ocorrendo todas as semanas, e que, além disso, crianças também buscam comidas que seriam jogadas fora: “É isso aí que você vê no vídeo. Faz pena ver essas pessoas nessa situação humilhante. São idosos e até crianças, algumas vezes. As crianças chegam a entrar no caminhão. Os próprios lixeiros ficam sensibilizados. Alguns chegam até ajudar”, disse o funcionário.

Trata-se de uma repetição repaginada de outras cenas que ficaram famosas nos últimos meses. Também nessa segunda-feira, 18, matéria do portal Uol denunciou que açougues da rede Extra na periferia de São Paulo estão entregando aos compradores apenas a bandeja de carne, sem a carne, que será entregue apenas no caixa, após o pagamento. Seria uma ação para evitar furtos de quem está passando fome e não consegue mais comprar carne.

Em agosto, o Sintrajufe/RS noticiou o caso da “fila do osso”, em Cuiabá: dezenas de famílias esperavam para receber de um açougue doações de ossos. As doações eram feitas pelos funcionários pela porta dos fundos do açougue e serviam para aplacar as fomes das famílias, jogadas à miséria pela crise econômica e pela falta de assistência do governo. A notícia correu o Brasil e, nas semanas seguintes, começaram a aparecer também imagens de açougues que passaram a vender – e não mais a doar – os ossos.

Na última sexta-feira, 15, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou estudo com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no qual apontou que, para as famílias com renda muito baixa, menor do que R$ 1.808,79 por mês, a inflação acumulada em 12 meses, até setembro, foi de 10,98%. Para quem tem renda alta, a inflação foi de 8,91% no mesmo período.

Enquanto isso, o filho do presidente passeia com a família em Dubai e o ministro da Economia, Paulo Guedes, ostenta 10 milhões de dólares em um paraíso fiscal, cujo valor em reais tem se multiplicado graças à política econômica conduzida justamente por Guedes e Bolsonaro – e que joga os brasileiros à miséria. Dados do final de 2020, coletados pelo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), apontam que 116,8 milhões de brasileiros e brasileiras conviviam com insegurança alimentar e havia 20 milhões passando fome – números que certamente aumentaram nos últimos meses com a redução do valor do auxílio emergencial e com a crise econômica, que afeta gravemente os mais pobres e a classe média enquanto permite que os privilegiados que estão no poder e os mais ricos ganhem cada vez mais.

Com informações da CUT, G1, Correio Braziliense e Uol.