SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

COLAPSO DA DEMOCRACIA

Em live do Sintrajufe/RS, com o tema “O colapso da democracia – o que fazer?”, painelistas analisam momento político, social e cultural e apontam caminhos possíveis

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O Sintrajufe/RS realizou nessa quarta-feira, 14, o debate “O colapso da democracia – o que fazer?”, transmitido ao vivo nos canais de comunicação do sindicato. A atividade foi um importante espaço para debater o momento do país e do mundo e discutir caminhos para a defesa, construção e reconstrução da democracia. A live marca o retorno do “Conversas Impertinentes”, agora em sua quinta edição e online. A proposta é abrir um espaço de debates para possibilitar a discussão de temas importantes para a sociedade e que possamos compreender e atuar na conjuntura na qual conduzimos nossas pautas.

Participaram da live, como painelistas, Dinah Lemos, servidora aposentada da Justiça do Trabalho, mestre em História, que participou do movimento estudantil no final da década de 70 e do movimento feminista nos anos 80 e é autora do livro “Zeferina, uma cabala brasileira”; e José Vieira Loguercio, servidor aposentado da Justiça do Trabalho, mestre e doutor em Ciência Política e conselheiro da Fundação Maurício Grabois/RS, tendo atuado no movimento estudantil no período da ditadura civil-militar e sido presidente do Diretório Acadêmico da Franklin Delano Roosevelt (Faculdade de Filosofia da Ufrgs) em 1968, ano de edição do AI-5. Os diretores do Sintrajufe/RS Paulo Oliveira e Reginaldo Lühring fizeram a mediação da atividade. O diretor Walter Oliveira também participou da live, que contou ainda, na abertura e no encerramento, com a leitura de poesias pelo escritor e oficineiro do Sintrajufe/RS Ronald Augusto.

Caminho pacífico e pacificador

Dinah Lemos foi a primeira a falar, defendendo uma “nova maneira” de ver o mundo, de utilizar a linguagem e de construir narrativas. Lemos se caracterizou como uma “alquimista do século XXI”, compondo novas alquimias a partir de diferentes formas de ver o mundo e agir sobre ele. Ela defendeu a necessidade de perceber o colapso não da democracia, mas do mundo, um “fracasso de mundo, envolvido por sistemas de gerenciamento político que são sólidos”, que, embora estejam em mutação planejada, não estão em crise. Trata-se, assim, para a painelista, de um colapso global. No caso do Brasil, defendeu que é preciso criar um novo polo de esquerda, com uma nova linguagem e construindo um caminho pacífico e pacificador – a partir do conceito de não-violência, que citou em referência a ideias de Judith Butler.

Compreender a história para mudar o presente e o futuro

Em seguida, José Vieira Loguércio fez sua intervenção, trazendo elementos históricos e políticos para apresentar em perspectiva a trajetória econômica da humanidade e as relações estabelecidas entre as classes. Ressaltando a valorização da ciência como caminho para a compreensão do mundo, Loguércio lembrou que o capitalismo tem como base a relação entre os proprietários dos meios de produção e os proprietários apenas da força de trabalho e que a classe trabalhadora é, hoje, maior do que em qualquer época. Ele explicou aspectos das transformações capitalistas nos últimos períodos ressaltando, como suas formas políticas, as diferentes conformações democráticas, limitadas pelos interesses da burguesia. Em relação ao Brasil, Loguércio destacou que, desde 1930, enfrentamos períodos de abertura e fechamento, e que, neste momento, “o Executivo foi tomado por uma corrente nitidamente fascista, embora limitada por uma condição democrática”. Assim, à pergunta sobre “o que fazer?”, o painelista defendeu que não há tarefa mais urgente para todos os democratas do que vencer o bolsonarismo, tarefa essa que exige um combate ideológico, político, cultural e sistemático amplo: “depois que nos livrarmos do bolsonarismo, nossas diferenças estarão em condições muito melhores para serem aprofundadas”, concluiu.

Após as falas iniciais, os mediadores apresentaram algumas perguntas próprias e enviadas pelo chat da transmissão, que teve boa participação do público. Também foi ressaltada por todos e todas a importância da atividade e da reunião de diferentes perspectivas sobre um tema central para as discussões deste momento sobre o país e o mundo.

Assista abaixo a íntegra da atividade: