SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

SOBERANIA AMEAÇADA

Em meio a nova tentativa de ingerência sobre as eleições, Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos EUA

O governo de Donald Trump anunciou, nessa terça-feira, 4, a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão é uma retaliação a medidas do governo brasileiro que buscam evitar tentativas de ingerência do governo dos EUA nas eleições brasileiras, marcadas para outubro.

No final de julho, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou pedido de visto para dois diplomatas dos Estados Unidos, Riley M. Barnes e Samuel Samson. Eles haviam sido citados em reportagem do jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Isso na mesma semana em que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, retomou publicamente as falsas acusações que seu pai, Jair Bolsonaro (PL), já fizera quatro anos atrás contra as urnas eletrônicas.

Por outro lado, desde o final do governo de Joe Biden, em janeiro de 2025, o governo Trump ainda não nomeara o embaixador no Brasil. Em junho, fez a indicação, mas sem os procedimentos comuns para isso. Conforme o portal G1, o caso gerou um mal-estar porque, ao contrário do que ocorre tradicionalmente, não houve consulta anterior ao governo brasileiro. Isso ocorreu duas semanas após o anúncio da indicação.

Os episódios em torno da diplomacia são mais um capítulo das tentativas do governo Trump de interferir nas eleições brasileiras. Em julho, os EUA implementaram novas tarifas sobre produtos brasileiros, entre uma lista de outras nações acusadas de explorar trabalho forçado. O relatório do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) que fundamenta a proposta de sobretaxar produtos produzidos no Brasil destaca, como um dos motivos, o Pix, envolvendo os interesses das empresas operadoras de cartões, como Visa e Mastercard. Outra razão alegada são as decisões do Judiciário brasileiro relacionadas à “remoção de conteúdos políticos”.

Há, sem dúvida, um conteúdo político para além da tentativa de Trump garantir a arrecadação tributária ameaçada por decisão da Suprema Corte americana. Embora essa lógica econômica venha sendo aplicada contra outros países, no caso do Brasil o viés político-eleitoral é claro e aberto. Em 9 de julho de 2025, o governo Trump aplicou seu primeiro tarifaço contra o Brasil, sobretaxando produtos brasileiros em 50%. Em carta dirigida ao presidente Lula, Trump citou diretamente o processo contra Jair Bolsonaro e criticou o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal. A tarifa foi encerrada em 20 de fevereiro de 2026. Trump vinculou expressamente o tarifaço ao processo judicial contra Jair Bolsonaro e exigiu que o julgamento fosse interrompido.

Essa tentativa de influenciar o processo eleitoral ficou clara mais uma vez no último mês, quando foi noticiado que o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo tem promovido encontros com influenciadores ligados à ultradireita. Os convites foram feitos por contatos oficiais do consulado para uma mesa-redonda sobre “liberdade de expressão e ambiente digital”, reunindo criadores de conteúdo para debater desafios relacionados às redes sociais.

Sintrajufe/RS ingressou com ações contra falas de Bolsonaro

Em 2021 e 2022, o Sintrajufe/RS ingressou com duas ações como resposta às declarações de Jair Bolsonaro. A primeira foi indeferida. No caso da segunda, a sentença inicial decidiu pela ilegitimidade ativa do sindicato como propositor da ação, mas sua tramitação continua. O Sintrajufe/RS interpôs apelação, mas esse pedido também foi indeferido por maioria, embora o relator tenha opinado pela legitimidade da entidade e pelo retorno à primeira instância para o julgamento do mérito. Desta decisão, contrária ao sindicato, foi interposto recurso especial, remetido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). No STJ, esse recurso não foi admitido, motivo pelo qual o Sintrajufe/RS interpôs agravo interno. O julgamento virtual deve ter início no dia 13 de agosto, com sustentação oral do advogado Felipe Néri da Silveira, do escritório Silveira, Martins, Hübner (SMH), que presta assessoria jurí­dica ao sindicato.

Fotos: divulgação