O governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, está ameaçando impor novo tarifaço aos produtos brasileiros. O centro da ameaça está no Pix, por conta de sua concorrência às empresas de cartão de crédito dos EUA e pela possibilidade de que esse tipo de pagamento seja internacionalizado. Companhias americanas como Mastercard e Visa, além de sistemas de pagamento eletrônico, como Google Pay e Apple Pay, também dos Estados Unidos, têm interesse nesse mercado lucrativo mesmo que isso signifique atacar a soberania brasileira.
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Em julho do ano passado, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) abriu uma investigação comercial contra o Brasil. É no relatório final dessa investigação que consta, agora, a proposta de novo tarifaço: 25% sobre os produtos brasileiros, com algumas exceções, como carnes e café. A investigação está baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. Esse instrumento funciona, na prática, como mecanismo de pressão internacional, e foi utilizado recentemente contra a China e a Nicarágua, por exemplo.
O USTR acusa o Banco Central de favorecer a utilização do Pix, sem a cobrança de taxas para os usuários e obrigando as instituições financeiras a oferecer esse tipo de operação. “O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix”, afirma o documento. Na prática, a contrariedade à gratuidade do Pix, sistema que corresponde a 54,7% das transações bancárias e que teve 42,9 bilhões de transações no segundo semestre de 2025, busca abrir o mercado para as empresas de cartões (crédito, débito e pré-pago), responsáveis por 30,4% das operações no mesmo período.
| Pix começou a ser gestado em maio de 2018 por servidores públicos Em maio de 2018, o Banco Central publicou a portaria 97.909, criando um grupo de trabalho para desenvolver uma ferramenta interbancária de pagamento instantâneo. O Pix foi criado após longo trabalho de analistas e técnicos do Banco Central, servidoras e servidores concursados, para facilitar pagamentos e transferências dos cidadãos, sendo lançado em 2020. |
Conforme especialistas entrevistados pela imprensa brasileira, um dos motivos da preocupação dos Estados Unidos com o Pix, além dos interesses das empresas de cartão de crédito, é a possibilidade de que o mecanismo de pagamento se internacionalize. Neste momento, o Banco Central do Brasil trabalha para adotar o Pix Internacional, que já é aceito de forma limitada em alguns países. Uma das possibilidades para o futuro próximo é o uso do Pix como meio de pagamento entre os países do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul. Essa possibilidade ameaçaria o poder do dólar e o controle dos Estados Unidos sobre essas operações.
Com informações do Uol, G1 e BBC
Fotos: White House e Agência Brasil














