Desde a campanha à Presidência dos Estados Unidos, Unidos, Donald Trump já dava sinais de que não aceitaria um mundo que não seja subserviente aos interesses estadunidenses; com esse objetivo lança mão de todos os recurso, guerras, tarifas e deportações. Empossado, ele comprovou que seu discurso sobre democracia e liberdade é um discurso vazio. A agressão ao Brasil veio à luz do dia nessa quarta-feira, 9, com uma carta a Lula (PT), presidente brasileiro, na qual Trump busca interferir diretamente no Judiciário, ao afirmar que os golpistas de 8 de janeiro de 2023 não deveriam estar sendo julgados, e anuncia um tarifaço de 50% sobre todos os produtos nacionais exportados para os EUA.
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Os eventos que levaram ao 8 de janeiro de 2023 e as atividades de invasão e depredação de prédios públicos, especialmente, o do Supremo Tribunal Federal (STF), resultaram na prisão e no julgamento de várias pessoas. Bolsonaro e pessoas próximas a ele estão sendo julgados, a partir de denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), pelo Judiciário brasileiro. A manifestação de Trump é uma chantagem e uma tentativa direta de interferir nesse processo, em um flagrante desrespeito à soberania nacional.
Na carta, Trump afirma que as relações comerciais entre os dois países são deficitárias para os EUA, o que não é verdade; pelo contrário, o Brasil tem registrado déficits comerciais seguidos com os Estados Unidos nos últimos 16 anos. De 2009 até junho de 2025, as vendas estadunidenses ao Brasil superaram suas importações em US$ 90,28 bilhões.
O presidente dos Estados Unidos menciona censura de plataformas de mídia e interferências ilegais do Brasil nas eleições nos EUA, quando o que ocorre é justamente o inverso: com as big techs, Trump e seus aliados buscaram e buscam interferir no processo político e eleitoral brasileiro, com a disseminação de fake news e de discursos de ódio. A história mostra que os EUA têm interferido na autonomia de outros países há décadas. Apenas na América Latina, foram diretamente apoiadores de golpes de Estado em países como Chile, Argentina e Uruguai e, em 1964, no Brasil, onde, mais recentemente, também interferiram no processo da Lava Jato; são fatos documentados. Segundo levantamento do site Diálogos do Sul Global, entre 2001 e 2022, os Estados Unidos patrocinaram guerras em pelo menos sete países, deixando mais de 3 milhões de mortos.
Um dos pontos centrais da carta de Trump é também uma afronta ao Judiciário brasileiro. Ao afirmar que o julgamento de Jair Bolsonaro (PL), por atividades golpistas, “não deveria estar acontecendo. É uma Caça às Bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!”, o presidente estadunidense desrespeita a soberania nacional. Não cabe a Trump ou a qualquer outro mandatário interferir no processo que tramita na justiça brasileira.
O Sintrajufe/RS defende o respeito à soberania nacional. A carta de Trump reforça que o julgamento e a condenação dos civis e militares envolvidos na tentativa de golpe de 2023 é fundamental para o fortalecimento da democracia no país.














