SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Sintrajufe/RS, Cpers/Sindicato e Sindibancários ingressam juntos com ação judicial para impedir carreata que defende fim do distanciamento social

O Sintrajufe/RS ingressou, nesta sexta-feira, 17, com ação judicial visando a proibição da manifestação programada para este sábado, 18, que pretende defender o fim das medidas de distanciamento social e a reabertura do comércio em Porto Alegre. A ação foi construí­da em parceria com o Cpers/Sindicato e o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (Sindbancários).

Carreata da morte tem similar nos Estados Unidos

A manifestação, uma carreata, é organizada pelo deputado estadual Ruy Irigaray (PSL) e está sendo convocada como contra a Globo e a favor do presidente Bolsonaro e da retomada da economia do paí­s . A posição do deputado do PSL contraria as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de especialistas e autoridades sanitárias de todo o mundo. O parlamentar e os demais defensores do que chamam de volta à normalidade parecem querer repetir no Brasil o desastre ocorrido em paí­ses como a Itália, os Estados Unidos e, mais recentemente, o Equador, onde corpos são empilhados nas ruas ou ficam jogados nas casas por dias, já que o sistema de saúde entrou em colapso e o sistema funerário não dá mais conta da quantidade de mortos.

Protestos como este, convocado pelo deputado apoiador de Bolsonaro, estão sendo feitos também nos Estados Unidos, mesmo que naquele paí­s já tenham falecido mais de 4,5 mil pessoas nas últimas 24 horas, num total de 33 mil ví­timas da covid-19 em território estadunidense. Assim como o governo brasileiro, Donald Trump quer “reabrir a América”, mesmo que isso coloque em risco a vida de milhares. Foram registradas naquele paí­s manifestações contra a quarentena. Na cidade de Lansing, em Michigan, manifestantes fizeram carreata e alguns até se reuniram nas ruas com metralhadoras, segundo informa o site UOL.

A marcha da ignorância e da morte também carrega a tentativa desesperada de preservar a concentração de riqueza e obrigar os trabalhadores a escolher entre morrer de fome ou pela doença, pois o governo se nega a tomar medidas que financiem os empregos e a renda, como a revogação da EC 95/2016, a taxação das grandes fortunas, a suspensão do pagamento dos juros da dí­vida pública e o uso das reservas internacionais que, sozinhas, já somam mais de 350 bilhões de dólares.

Não por acaso, Ruy Irigaray, organizador da manifestação programada para este sábado, é fundador do movimento Armas S.A.: a polí­tica da morte é presença constante em sua agenda.

A ação judicial

Na ação, as entidades apontam que buscam a proteção tanto de direitos individuais homogêneos dos substituí­dos processuaisporque o retorno às atividades normais sem recomendação expressa das autoridades sanitárias neste sentido coloca em risco a integridade fí­sica e a saúde dos substituí­dos, que ficariam expostos diretamente, bem como seus familiares e as pessoas com as quais manterão contato, à propagação multiplicada do coronaví­rus e ao aumento exponencial da pandemia de COVID-19 -, quanto de direito coletivo das categorias representadas, consistente na proteção do direito constitucional à saúde .

A ação lembra ainda os decretos dos governos estadual e municipal que declararam estado de calamidade pública e determinaram medidas de isolamento social, inclusive a realização de eventos em local fechado ou aberto em vias e logradouros públicos ou privados, independentemente da sua caracterí­stica, condições ambientais, tipo do público, duração, tipo e modalidade . Assim, é indiscutí­vel que os réus Estado do Rio Grande do Sul e Municí­pio de Porto Alegre são obrigados a tomar as medidas necessárias a evitar a realização do evento intitulado Carreata Verde e Amarela , promovida e organizada pelo réu Ruy Santiago Irigaray Junior, adotando para tal os meios coercitivos previstos nos decretos de calamidade pública, relacionados à pandemia COVID-19, editados pelos réus entes públicos, cabendo à Brigada Militar e à Guarda Municipal de Porto Alegre atuar ostensivamente para conceder efetividade às referidas medidas coercitivas .

Dessa forma, as entidades requerem a concessão de medida liminar de tutela de urgência para determinar ao deputado estadual Ruy Irigaray que se abstenha de promover e realizar a carreata e que comunique, em todas as suas redes sociais, o teor da medida liminar como meio de evitar ou minimizar a concentração de pessoas previamente convidadas. A ação reivindica, ainda, que o estado do Rio Grande do Sul e o municí­pio de Porto Alegre tomem as medidas necessárias para evitar a realização do evento.

Proteção à vida, empregos e salários

O Sintrajufe/RS tem defendido polí­ticas de preservação e proteção da saúde, da vida e dos empregos e salários dos trabalhadores e das trabalhadoras dos setores públicos e privados. O isolamento social é parte fundamental desse processo, bem como a garantia de renda e a manutenção dos salários. Todas as medidas possí­veis para preservar os direitos e a vida continuarão a serem tomadas pelo sindicato, em conjunto com outras entidades do movimento sindical.

Conforme a diretora Clarice Camargo, o Sintrajufe/RS decidiu entrar com a ação porque o sindicato fez a opção pela defesa da vida. Não só dos nossos sindicalizados, mas de toda a população de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul, do Brasil. Não é apropriado fazer esse tipo de convocação, de forma completamente fora de propósito, fora do que está sendo pedido pelas autoridades sanitárias do Brasil e do mundo. É completamente fora do que é necessário para combater a pandemia neste momento. Estamos em uma longa caminhada e precisamos que as autoridades deem o exemplo. Basta de tanta inconsequência .

Helenir Schürer, presidente do Cpers, explica que estamos juntos nesta ação porque, em primeiro lugar, defendemos a vida. Não é possí­vel que se tenha o lucro acima  da vida. Continuaremos defendendo ferrenhamente o isolamento social para os nossos alunos, para os nossos colegas professores e funcionários e para toda a população. O lucro, se não tiver hoje, pode obter amanhã; a vida, depois que perdeu-se, não se pode reaver mais .

Para Everton Gimenis, presidente do Sindicato dos Bancários, é um absurdo os empresários ricos saí­rem nos seus carrões pedindo para o povo trabalhador ir de ônibus trabalhar. Essa pressão é absurda, todas às autoridades de saúde do mundo dizem que o distanciamento social é a única forma de impedir a contaminação em massa, que colapsaria o sistema de saúde e acabaria em milhares de mortes e uma tragédia humanitária. A vida vale mais do que o lucro desses sanguessugas .