SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

PARA PREFEITURAS

Serviço civil voluntário é porta aberta para a precarização dos serviços públicos, do trabalho e dos direitos em prefeituras brasileiras

Publicada no Diário Oficial há cerca de um mês, a lei que cria o serviço civil voluntário é mais uma ação do governo de Jair Bolsonaro (PL) para permitir a contratação de trabalhadores sem direitos e precarizar o trabalho no serviço público. Pela nova lei, as prefeituras poderão fazer contratações pagando menos de um salário mí­nimo, com a remuneração sendo chamada de bolsa .

A lei é oriunda da medida provisória (MP) 1099/2022, editada por Bolsonaro em janeiro e aprovada pelo Congresso em maio. Quem participar do chamado Programa Nacional de Serviço Civil Voluntário receberá, em troca, pagamento do salário mí­nimo por hora (atualmente, de R$ 5,51), o que o governo chama de bolsa, e seguro de acidentes pessoais. O auxí­lio-transporte será opcional.

Poderão ser contratados nessa modalidade, pelas prefeituras, jovens entre 18 e 29 anos e trabalhadores acima de 50 anos que estão desempregados há mais de dois anos. A definição da jornada vai depender de cada municí­pio. O trabalho em atividades de interesse público será de até 22 horas por semana, enquanto as atividades de qualificação serão de, no mí­nimo, 12 horas por mês. Tanto as horas de trabalho quanto as de qualificação serão remuneradas pelo salário mí­nimo hora. Assim, se o trabalhador cumprir o máximo de horas estipulado pela nova lei, irá receber R$ 551 naquele mês.

Sem direitos

Em fevereiro, ao denunciar a medida provisória que agora vira lei, o Sintrajufe/RS já advertia que, em meio ao desespero de trabalhadores desempregados, o governo, em vez de apresentar polí­ticas de geração de emprego e renda e de crescimento econômico, cria modalidades nas quais os trabalhadores têm cada vez menos direitos. Na época, o sindicato destacou que o interesse em gerar empregos é tão falso que o governo sequer possui previsões de quantas pessoas deverão ser contratadas na nova modalidade. O objetivo real é, mais uma vez, retirar direitos, como demonstram outras ações tomadas pelo atual presidente. Nesse caso, até mesmo o direito ao salário está relativizado, já que o pagamento configura-se como o que o próprio governo chama de bolsa isso porque o salário mí­nimo mensal serve apenas como base para o pagamento das horas trabalhadas.

Sem concursos

Mais uma vez, Bolsonaro estimula a contratação no serviço público sem concurso e sem direitos. Já que não conseguiu aprovar a reforma administrativa (PEC 32/2020) graças à luta de servidores e servidoras, o governo tenta desmontar os serviços públicos por dentro , aos poucos. A lei do serviço civil voluntário reúne alguns dos elementos da PEC 32 justamente na possibilidade de contratações precárias e sem concurso público.