SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

FORMAÇÃO

“Romper o silêncio salva vidas”: evento do Sintrajufe/RS debate sobre violência contra a mulher

O Sintrajufe/RS promoveu, nessa quinta-feira, 20, o painel “Romper o silência salva vidas”. A atividade, que ocorreu de forma híbrida, discutiu o enfrentamento às diversas formas de violência contra as mulheres.

As diretoras do sindicato Cristina Viana e Márcia Coelho mediaram o debate, que teve como painelistas a professora de História, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT/RS e secretária-geral do Cpers Suzana Lauermann; a advogada Rúbia Abs da Cruz; e a médica do trabalho e da família Jane Reos. Na abertura, foi apresentado um vídeo produzido pela CUT/RS que serviu como base para o debate, com a ideia de que as mulheres têm pressa em terem seus direitos respeitados porque “a vida não tem hora extra”.

As dirigentes do Sintrajufe/RS apresentaram os alarmantes dados de feminicídios no Rio Grande do Sul e no Brasil neste ano e pontuaram que esta não é a única forma de violência contra as mulheres que deve ser combatida. Conforme as diretoras, o feminicídio é o ato final, mas a violência começa muito antes, de forma verbal, patrimonial, por meio do isolamento das mulheres, entre muitas outras facetas. O combate à violência, portanto, deve levar em conta todo esse ciclo.

A atividade fez parte das ações do Agosto Lilás, instituído em 2022. A campanha anual busca conscientizar sobre o combate à violência contra a mulher e a repressão aos casos de violência contra a mulher no país.

Necessidade de apoio e escuta

A primeira painelista a falar foi Jane Reos, médica do trabalho e da família. Ela explicou que o fato de a violência contra as mulheres estar, muitas vezes, dentro de casa, torna ainda mais difícil falar, denunciar e levar aos espaços de apoio as questões vivenciadas no ambiente privado. Além disso, muitas mulheres receiam a falta de confiança na sua palavra e a falta de validação sobre o que dizem. Nesse contexto, pontuou Jane, quem faz o recebimento e acolhimento das mulheres vítimas de violência deve estar preparado em diversos aspectos, desde os termos a serem usados até a necessidade de assegurar que a mulher não tem culpa da situação que vive: “É preciso apoiar essa mulher e ajudar ela a sentir que naquele espaço não tem julgamento, que tem escuta real e que ali ela pode confiar para dar os primeiros passos”, completou.

Legislação vem sendo atualizada

A seguir, quem falou foi a advogada Rúbia Abs da Cruz. A painelista apresentou um panorama da legislação que trata do enfrentamento à violência contra as mulheres. Ela explicou o funcionamento da Lei Maria da Penha e disse que essa legislação vem sendo atualizada para dar conta das diferentes formas de violência. A Lei Maria da Penha, apontou a advogada, atua em todas as pontas desse enfrentamento, abrangendo os diferentes aspectos desse problema. Ela informou que na quarta-feira, dia 19, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade ampliar a aplicação das medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha para mulheres que sofrem violência de gênero, mesmo sem possuir qualquer vínculo doméstico, familiar ou afetivo com o agressor. Isso é um grande avanço, mas é preciso que a medida tenha efetividade prática. Rúbia defendeu, ainda, que a legislação não é suficiente, e que é necessário um forte trabalho educacional e cultural, com campanhas de valorização das mulheres, para construir uma mudança mais profunda nessa realidade.

Mudança de cultura

A última painelista a falar foi a professora de História e secretária-geral do Cpers Suzana Lauermann. Ela recordou que as políticas públicas e as leis sempre demoraram muito tempo para chegar nas mulheres, problema agravado pelo fato de que o Congresso segue majoritariamente composto por homens brancos, “que regem as nossas vidas”. Para ela, temos, neste ano, a oportunidade de mudar o Congresso por meio do voto. A luta, de qualquer forma, precisa ser intensa para reverter algumas situações, e não apenas os feminicídios, mas, por exemplo, os ataques de ódio sofridos por mulheres em redes sociais. A solução, defendeu, passa necessariamente por uma mudança de cultura, a começar pelas escolas. Para as mulheres, não há outro caminho a não ser seguir lutando, se organizando, se protegendo, concluiu.

Veja abaixo o vídeo completo com a transmissão do painel: