Nessa quinta-feira, 1º, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) investiguem um possível financiamento do governo de Donald Trump a iniciativas de extrema direita no Brasil. A notícia-crime, assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, foi encaminhada ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A iniciativa teve origem em matéria do jornal britânico The Guardian, que aponta para a utilização de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) para financiar tentativas de intervenção nas eleições brasileiras.
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A AGU quer identificar eventuais responsáveis e organizações brasileiras que possam ter recebido recursos dos Estados Unidos. Segundo o The Guardian, a gestão Trump redirecionou recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, do Departamento de Estado, para financiar uma agenda conservadora em países da região.
Para a AGU, as informações precisam ser investigadas diante da possibilidade de recursos de um governo estrangeiro terem sido usados para influenciar o ambiente político e institucional brasileiro. O órgão citou os princípios constitucionais da soberania, da independência e da não intervenção. Ainda destacou que a legislação brasileira impõe restrições ao financiamento estrangeiro de organizações políticas.
A possível interferência dos Estados Unidos no processo político nacional já vinha provocando atritos entre Brasília e Washington. O governo Trump adotou medidas econômicas e diplomáticas contra o Brasil e fez críticas recorrentes ao STF e a seus integrantes.
“Golpe de Estado contra a democracia”
Além do Brasil, a reportagem do Guardian menciona as eleições na Argentina, em Honduras e na Colômbia. Nessa quinta-feira, 1º, o ex-presidente da Colômbia Gustavo Petro acusou Washington de participar de uma ofensiva contra governos, instituições e forças progressistas da América Latina. Em uma longa publicação nas redes sociais, o Petro afirmou que há um “golpe de Estado contra a democracia” em curso na Bolívia e relacionou a crise no país à atuação dos Estados Unidos.
A declaração ocorreu após a prisão do procurador-geral boliviano Roger Mariaca, acusado pelo governo da Bolívia de envolvimento com lavagem de dinheiro e narcotráfico. Pouco antes, Washington havia revogado o visto de Mariaca e de outras autoridades. O procurador nega as acusações e atribui o caso a motivações políticas. O episódio acontece em um momento de aproximação entre o atual governo da Bolívia, de direita, e os Estados Unidos e de expansão da estratégia estadunidense no continente alegando motivos de segurança.
Petro citou diretamente as eleições brasileiras e defendeu uma articulação regional contra o uso de perfis falsos e mecanismos digitais de manipulação política. Segundo ele, forças progressistas latino-americanas deveriam atuar nas redes sociais para combater o que chamou de “bots falsos contra Lula”. A publicação também relaciona a atuação política de Trump ao uso de inteligência artificial, redes sociais e estruturas digitais para interferir na formação da opinião pública.
EUA suspendem atendimento presencial em embaixada e consulados
Os atendimentos presenciais na embaixada e nos consulados dos Estados Unidos no Brasil foram suspensos nesta sexta-feira, 2. Em comunicado, sem dar detalhes, foi informado que a medida se devia a questões de segurança. Conforme apurou a CNN Brasil, os funcionários da embaixada e dos consulados desconhecem o que motivou a decisão.
A Polícia Militar do Distrito Federal enviou um efetivo para reforçar a segurança do perímetro a pedido da embaixada. O coronel Rômulo Palhares, da PMDF, disse que a medida visa “garantir que não tenhamos nenhum incidente que, ainda que não tenha relação com a eleição, de algum modo possa refletir nas eleições”.
A embaixada da Austrália também suspendeu os atendimentos presenciais.
Com informações de Correio Braziliense e CNN Brasil
Foto: White House











