Os afastamentos por burnout – ou síndrome do esgotamento profissional – tiveram um aumento de 493% em quatro anos, segundo dados do Ministério da Previdência Social (MPS). Os casos de auxílios-doença por esgotamento no trabalho e falta de lazer passaram de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024. Home office, aumento do tempo conectado, informalidade e “uberização” do trabalho são considerados como fatores importantes para o avanço desses adoecimentos.
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O INSS concedeu, em 2024, 472,3 mil auxílios-doença relacionados à saúde mental, incluindo depressão, ansiedade e outras síndromes, de um total de 3,6 milhões de afastamentos. Nos primeiros seis meses de 2025, transtornos por saúde mental já representavam mais de 271 mil afastamentos, ou cerca de 1 em cada 7; foram 3.494 casos de burnout, o que corresponde a 71,6% dos afastamentos registrados em todo o ano de 2024.
Ainda durante a transição de governo, em 2022, esse assunto chamou a atenção. Estudos começaram a ser feitos, considerando os impactos pós-pandemia. Especialistas ouvidos pela Folha de S. Paulo apontam, ainda, que o problema pode estar subnotificado porque o burnout é difícil de identificar clinicamente e pode ser classificado como outros transtornos. Trabalhadores e trabalhadoras informais que não contribuem ao INSS também ficam fora das estatísticas.
Fim da escala 6×1
A síndrome do esgotamento profissional se relaciona, ainda, com outro tema que ganhou destaque na pauta dos trabalhadores e trabalhadoras: o fim da escala 6×1. A proposta de emenda à Constituição de autoria de Paulo Paim (PT) avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda há um longo caminho a percorrer para a aprovação, percurso que pode ser reduzido com a pressão da população.
Em 2025, o assunto ganhou as ruas, com a realização de diversos atos públicos pelo fim da escala que faz com que o trabalhador tenha apenas um dia de descanso semanal. Pesquisa da Genial/Quaest, de dezembro, mostra que 72% dos respondentes apoiavam o fim da escala contra 24% contrários.
Doença ocupacional
O Brasil passou a adotar a nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em janeiro de 2025. Entre as mudanças está a inclusão do burnout na lista de doenças ocupacionais, reforçando sua importância como uma questão de saúde pública e a necessidade de ações preventivas e de cuidado ganha ainda mais evidência.
Ocupando a segunda posição no ranking mundial de casos de burnout, o país registra que cerca de 30% das pessoas ocupadas sofrem com a síndrome, conforme dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). Para a professora e pesquisadora Cláudia Osório, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o modelo de capitalismo contemporâneo contribui diretamente para a elevação dos casos de burnout, depressão e outras condições, como infartos e até suicídios relacionados ao trabalho. Ela aponta que a gestão por metas e a busca incessante por excelência desconsideram as condições reais de vida e de trabalho e colocam as pessoas em um estado permanente de dívida emocional e física, gerando esgotamento e desmotivação.
Sintrajufe/RS oferece apoio com assessoria de saúde
O Sintrajufe/RS conta com uma assessoria de saúde qualificada, composta pela médica do trabalho Virgínia Dapper; médico do trabalho Geraldo Azevedo, a psiquiatra e médica de família Ana Achutti e a psicóloga Vera Moura. A equipe dá suporte às demandas individuais relacionadas a questões funcionais de sindicalizados e sindicalizadas, bem como auxilia a direção do sindicato a promover propostas de melhorias nas condições de saúde da categoria.
Para agendamentos individuais e de grupo com a assessoria de saúde, os contatos são os seguintes: e-mail [email protected] ou pelo telefone (51) 3235-1977.
Com informações de UOL e Conselho Federal de Enfermagem
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil












