Os números são implacáveis, a realidade dos fatos também. O avião adesivado para buscar vacinas nunca decolou rumo a seu destino, faltam seringas, testes, oxigênio e vacinasmais uma farsa do governo. O despreparo logístico e os incidentes diplomáticos não explicam, sozinhos, a ausência de recursos para impedir que mais e mais vidas sejam perdidas. O relato dramático de nosso colega manauara sobre o colapso da saúde em sua cidade confirma uma certeza: estamos diante de um governo que sabota a nação, despreza a vida de seu povo e trava uma guerra contra os servidores e os serviços públicos.
Comemorado, o primeiro lote de vacina para a Covid-19 imunizará apenas 2,8 milhões de brasileiros e brasileiras entre uma população de mais de 211,8 milhõesou seja, apenas 1,3%. O presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde estima que o primeiro lote esteja esgotado em uma semana. Não há previsão de data para o recebimento de mais doses.
A massiva propaganda do imunizante cria esperança, mas, por detrás das peças de marketing eleitoral, fica a dura realidade: não há vacinas suficientes e, por outro lado, 7 milhões de testes estocados com validade até janeiro de 2021 estragam em um depósito, impedindo o mapeamento preciso da pandemia de forma a possibilitar um combate eficiente à doença. À dramática crise sanitária, se somam 67 milhões de pessoas jogadas à própria sorte com o fim do auxílio emergencial.
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A falta do imunizante não é um problema exclusivamente brasileiro, no mercado mundial os laboratórios também fazem suas contas. Em outubro de 2020, índia e áfrica do Sul defenderam na Organização Mundial do Comércio (OMC) a suspensão das patentes e outros instrumentos de propriedade intelectual vinculados ao combate à pandemia de Covid-19. Bolsonaro, alinhado ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ficou ao lado dos laboratórios e se negou a assinar a proposta.
O governo foi avisado com antecedência sobre a falta de seringas, mas não as encomendou. Foi alertado com antecedência sobre a falta de oxigênio e, mesmo assim, nada fez frente à asfixia iminente de pessoas que lutavam pela vida. Em relação às vacinas, o governo não se antecipou, não fez reserva, não fez compra, não provisionou pagamentos e pedidos que envolvam os imunizantes; preferiu gastar dinheiro público com cloroquina, um remédio que desde sempre foi apontado pelos especialistas como ineficaz. Não faltam provas para demonstrar sua opção, mas ele não é o único responsável.
Aqueles que patrocinam o desmonte dos serviços públicos também são responsáveis por essa tragédia. Só em 2021, a emenda constitucional 95/2016 (EC 95), aprovada durante o governo Temer com apoio dos que hoje posam para fotos com as poucas doses de vacina, retirará R$ 35 bilhões da saúde. São os mesmos que apoiam uma reforma administrativa que privatiza, destrói direitos básicos como a saúde, a educação e a justiça, reduz salários e a capacidade de atendimento pelo Estado.
Ironicamente, as doses disponíveis no Brasil vieram justamente de dois órgãos públicos. O Insituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) são destacados centros de pesquisa e estão entre as mais importantes instituições de ciência e tecnologia em saúde da América Latina.
É urgente a vacina para todos e a testagem em massa. É urgente impedir que outros milhares morram e outros milhões de brasileiros e brasileiras tenham suas vidas ameaçadas pela miséria, pelo desemprego e pela fome. O fim desse governo, todo ele, é o melhor remédio para o Brasil. Essa posição, já manifestada pela direção do sindicato e referendada em assembleia geral da categoria, é mais atual do que nunca. Essa luta é nossa, ao lado das centrais sindicais, dos movimentos sociais e daqueles que estão dispostos a defender a vida do povo, os direitos conquistados, os serviços públicos e a soberania nacional.
Direção Executiva do Sintrajufe/RS
Janeiro/2021














