SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

TREINAMENTO DE IA

Meta, empresa que controla o Facebook e o Instagram, vai obrigar funcionários a treinarem IA monitorando seu trabalho; Duolingo desistiu após repercussão negativa

A Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram, vai obrigar seus funcionários a treinarem robôs de inteligência artificial por meio de monitoramento de suas ações ao computador. A revelação foi feita por reportagem da agência Reuters e confirmada pela empresa.

A Meta enviou memorandos aos trabalhadores explicando como será feito o processo. Está sendo instalado um software de rastreamento nos computadores. Esse software irá capturar cliques, movimentos do mouse e pressionamento de teclas, além de fazer capturas de telas e aplicativos. O objetivo, conforme reportagem do site Tecmundo, é “aprimorar os modelos de IA nos segmentos em que possuem maior dificuldade para replicar as ações humanas ao interagir com os PCs”. Além da possível substituição de trabalhadores por IA, a medida gera preocupação com a privacidade desses trabalhadores e trabalhadoras.

Recentemente, a plataforma de idiomas Duolingo anunciou a desistência parcial de medidas semelhantes. Em 2025, a empresa implementou ações para ampliar a utilização de IA. Essas ações incluíam o uso do treinamento de inteligência artificial como ponto de avaliação de desempenho no trabalho. Também constava o plano de substituir trabalhadores terceirizados por IA. Após repercussão negativa interna e externa – usuários ameaçaram desinstalar o aplicativo do Duolingo caso a substituição se confirmasse –, a empresa desistiu dessas duas medidas, embora siga estimulando seus funcionários a treinarem a IA.

Modelo que se espalha

Nesta quarta-feira, 22, o Sintrajufe/RS noticiou que trabalhadores indianos estão costurando com câmeras acopladas à cabeça com o objetivo de treinar inteligência artificial para tarefas “finas”. Conforme o Tecmundo, essa técnica se chama “Egocentric Data Collection” ou “Hand Farms”. Diz a reportagem que “as câmeras gravam tudo do ponto de vista da pessoa, capturam cada movimento das mãos, ângulo, velocidade, até a força aplicada em tarefas manuais”. Explicam, ainda, que “empresas, como start ups na Índia, coletam, anotam e vendem esses dados para gigantes da robótica”. E completa apontando que esses trabalhadores ajudam a ensinar robôs que estão aprendendo a “executar tarefas finas e que no futuro podem ocupar exatamente esses empregos”. A cobertura da CNN dos Estados Unidos sobre o caso também traz essa avaliação de especialistas: de que muito provavelmente se trata de um treinamento para sistemas de IA, e mais, muitos desses trabalhadores podem nem saber que estão fazendo isso.

A reportagem do Tecmundo explica que o caso não é isolado, nem exclusivo da Índia: “Segundo relatos que circulam nas redes, trabalhadores em países como Nigéria e Argentina também têm sido recrutados para atividades similares, recebendo entre 230 e 250 dólares mensais para repetir tarefas físicas enquanto são filmados. Esse tipo de operação tem nome no setor: são as chamadas ‘data farms’ de treinamento robótico, estruturas que transferem habilidades humanas para máquinas usando dados reais de produção. Empresas como Figure AI, Agility Robotics e a própria Tesla estão entre as que mais demandam esse tipo de dado para treinar humanoides de uso geral, conforme apontam análises do setor publicadas no início de 2026”.

Estudos mostram ameaça a empregos

Diferentes estudos apontam para um grande volume de empregos fechados ou afetados pelo avanço da inteligência artificial. Uma análise do Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2024 estimou que a inteligência artificial deve afetar quase 40% de todos os empregos globais. Já previsão do Fórum Econômico Mundial divulgada no início de 2025 diz que a IA poderá eliminar 92 milhões de empregos até o ano 2030. Em 2023, estudo apresentado pelo Goldman Sachs, um dos maiores grupos financeiros do mundo, apontou que 300 milhões de empregos estão expostos à automação. O estudo ainda destaca o Judiciário como um dos principais campos afetados.