A Marinha israelense informou, nessa quarta-feira, 1, ter interceptado a flotilha que transportava ajuda humanitária para Gaza e detido os ativistas a bordo. Entre eles, estão a ativista sueca Greta Thunberg e Luizianne Lins (PT-CE), deputada federal e ex-prefeita de Fortaleza, e pelo mais dez brasileiros. O governo brasileiro, por meio de nota do Itamaraty, manifestou que “deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica”.
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A flotilha reúne dezenas de embarcações e um total de cerca de 500 pessoas que tentavam furar o bloqueio a Gaza levando ajuda humanitária, como alimentos, água potável, medicamentos e brinquedos. O grupo esperava chegar a Gaza na manhã desta quinta-feira, 2.
A GSF afirmou que vários barcos, incluindo o Alma, um dos principais, bem como o Surius e o Adara, foram interceptados e abordados. A GSF descreveu a interceptação como “ilegal” e “um ato descarado de desespero”.
Até o momento, a ação de Israel desencadeou uma série de protestos, retaliações diplomáticas e ameaças de greve. Até o fim da manhã desta quinta-feira, 2, foram registrados atos públicos e manifestações nas ruas em países como Bélgica, Alemanha, Grécia, Itália, Argentina, México, Colômbia e Uruguai.
Itamaraty condena ação de Israel
Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo brasileiro acompanha “com preocupação a interceptação pela marinha israelense de embarcações da ‘Flotilha Global Sumud’”. Foram ressaltados o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e o caráter pacífico da flotilha. Foi informado que a embaixada do Brasil em Tel Aviv está em contato com as autoridades israelenses.
Ainda segundo a nota, “O governo brasileiro deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica […] e exorta “pelo levantamento imediato e incondicional de todas as restrições israelenses à entrada e distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza”.
Também na quarta-feira, 1, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), divulgou nota nas redes sociais afirmando que acompanha “com preocupação a notícia da interceptação do barco que levava a deputada Luizianne Lins e voluntários de 40 países para missão humanitária em Gaza”.
Protestos de outros países
Vários países se manifestaram oficialmente contra a ação de Israel contra a flotilha. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, expulsou todos os diplomatas israelenses que restavam em seu país e denunciou a ação como um “crime internacional cometido por Netanyahu”. Petro também rescindiu o acordo de livre comércio da Colômbia com Israel, em vigor desde 2020; dois colombianos estavam na flotilha.
O Ministério das Relações Exteriores da Turquia chamou o ataque de Israel à flotilha de “um ato de terror” que colocou em risco a vida de civis inocentes.
O vice-primeiro-ministro irlandês, Simon Harris, classificou os relatos como “preocupantes” e disse esperar que Israel respeite o direito internacional. Ao menos sete irlandeses estão entre os detidos, incluindo o senador Chris Andrews.
Espanha convocou encarregada de negócios de Israel para uma conversa. O ministro de Exteriores do país, José Manuel Albares, declarou que os detidos “não representavam nenhuma ameaça a Israel nem a ninguém”.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, chamou o bloqueio de “grave ofensa” e pediu libertação de cidadãos, incluindo Nkosi Zwelivelile Mandela, neto de Nelson Mandela. Para Ramaphosa, “Esses raptos não têm propósito no contexto dos esforços para assegurar a paz no Oriente Médio”.
Comissão Independente da ONU recomenda acesso total à ajuda humanitária
Israel e os Estados Unidos apoiam um sistema alternativo de distribuição de alimentos, a Fundação Humanitária de Gaza, com a qual as Nações Unidas (ONU) se recusam a cooperar, descrevendo sua estrutura como antiética. Em relatório publicado em setembro, a Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU afirmou que “O Estado de Israel é responsável pela prática de genocídio contra os palestinos em Gaza como um grupo”.
No mesmo relatório, no qual analisa a conduta de Israel em Gaza em relação à Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio desde 2021, a comissão recomenda que a população de Gaza tenha acesso total e sem entraves à ajuda humanitária em grande escala, incluindo alimentos, água potável, equipamento médico e medicamentos a todas as áreas de Gaza. Também recomenda que seja finalizada a distribuição de alimentos pela Fundação Humanitária de Gaza.
Com informações de Ministério das Relações Exteriores, BBC Brasil, g1, UOL, Brasil de Fato e CNN
Foto: Reprodução / X / @Azfarheri














