O ativista brasileiro Thiago Ávila, que estava em uma flotilha que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, foi preso pelo Exército de Israel e relatou ter sofrido agressões que o fizeram desmaiar. Segundo um familiar, ele ficou “muito machucado” e “cego temporariamente”. Durante um interrogatório, policiais israelenses teriam exibido imagens da rotina da esposa e da filha de 2 anos de Thiago, o que foi interpretado como uma tentativa de intimidação. Os 22 barcos ligados ao movimento Global Sumud Flotilla (GSF) foram interceptados em águas internacionais, a 150 quilômetros da ilha grega de Creta, no dia 30 de abril, e seus 173 tripulantes, sequestrados.
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A maioria dos tripulantes foi levada para o porto de Ierapetra, no sul de Creta, mas Ávila e o espanhol de ascendência palestina Saif Abu Keshek foram enviados para Israel, onde estão presos, são acusados de vínculo com uma organização classificada como terrorista pelos governos de Israel e dos Estados Unidos.
Solitária e torturas
A defesa dos dois ativistas é oferecida pelo grupo israelense de direitos humanos Adalah. Segundo a organização, os advogados que estiveram com Ávila e Abu Keshk afirmaram que ambos estão em “condições terríveis de detenção, que vão desde ameaças de morte até condições de detenção que equivalem a tortura”.
Os advogados relatam que os dois são mantidos, 24 horas por dia, em celas com luzes intensas, prática já conhecida no sistema prisional israelense, com o intuito de induzir privação de sono e desorientação nos presos. A publicação descreve que os ativistas, em greve de fome desde a prisão, estão consumindo apenas água. Eles foram examinados por médicos com os olhos vendados, o que configura uma grave violação dos padrões éticos da medicina. O tratamento é considerado tortura pela lei internacional.
O brasileiro afirmou ter sido submetido a “extrema brutalidade por parte dos militares israelenses durante a apreensão das embarcações”. Ele foi arrastado de bruços pelo chão e espancado com tanta severidade que perdeu a consciência em duas ocasiões.” Os advogados presentes ainda confirmaram que Ávila apresentava “hematomas visíveis no rosto, inclusive ao redor do olho esquerdo” e mobilidade reduzida e dor intensa na mão.
Condenação “nos termos mais enérgicos”
Em nota conjunta, no dia 1º de maio, os governo do Brasil e da Espanha afirmam condenar “nos termos mais enérgicos o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel”. Afirma ainda que “esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”. O comunicado exige o “retorno imediato” de Ávila e Abu Keshek aos seus respectivos países.
O presidente Lula (PT) usou suas redes sociais, no dia 5, para se manifestar sobre a prisão de Ávila e de Abu Keshk e dizer que o governo brasileiro, junto com o da Espanha, “exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”. Na nota, Lula afirma que “a detenção dos ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional”. Para ele, “manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”.
ONU pede libertação imediata
Em nota divulgada no dia 6, o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Thameen Al-Kheetan, pediu que Israel liberte Ávila e Abu Keshek “imediata e incondicionalmente”. Al-Kheetan afirmou que não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza.
A nota ressalta que “relatos perturbadores de maus-tratos severos” contra os dois ativistas devem ser investigados, e os responsáveis devem ser levados à justiça. Al-Kheetan pediu o fim das detenções arbitrárias por parte de Israel da legislação antiterrorismo “vagamente definida, inconsistente com o direito internacional”.
A ONU pediu, ainda, o fim do bloqueio a Gaza, para permitir que a assistência humanitária chegue em quantidades suficientes.
Mãe de Ávila morreu no dia 5
Teresa Regina de Ávila e Silva, mãe de Thiago Ávila, morreu no dia 5, em Brasília, aos 63 anos. Ela apresentava um quadro grave de saúde. A defesa tentou a libertação do ativista, para que ele pudesse acompanhar o velório e o sepultamento, mas o pedido foi negado por um tribunal israelense.
O Sintrajufe/RS se soma as apelos das entidades que exigem a libertação de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek.
Com informações de Pública, Agência Brasil, Carta Capital e ONU














