SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

SEM ANISTIA E BLINDAGEM

Mais de 15 mil em protesto em Porto Alegre e outros milhares pelo país contra anistia e PEC da Blindagem; Congresso é alvo de duro recado

O último domingo, 21, foi dia de grandes mobilizações em todo o Brasil. Milhares de pessoas foram às ruas para dizer “não” à anistia aos golpistas de janeiro de 2023 e à PEC da Blindagem. Os protestos também defenderam pautas como a ampliação da isenção do pagamento de imposto de renda (IR) e o fim da escala 6×1. Houve manifestações em todas as capitais e em muitas cidades do interior e, em Porto Alegre, o Sintrajufe/RS participou da manifestação. A resposta das ruas às recentes movimentações do Congresso Nacional foi contundente e pode dificultar a aprovação de um verdadeiro “pacote da bandidagem” que vem sendo construído por setores do parlamento.

Artistas ampliaram ainda mais as manifestações e bandeirão do Brasil ganhou a avenida Paulista

Foram dezenas de cidades com mobilizações. Em São Paulo, manifestantes tomaram a avenida Paulista e, no meio do protesto, estenderam uma bandeira brasileira gigante, respondendo aos que, em 7 de setembro, fizeram o mesmo, no mesmo local, com uma bandeira dos Estados Unidos, mesmo com o Brasil sendo atacado por Donald Trump. No Rio de Janeiro, a manifestação foi realizada junto à orla, em Copacabana. Nessas e em outras cidades, artistas destacados de diversas vertentes estiveram no palco. No Rio, até mesmo um trio histórico da MPB, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, participou, inclusive cantando algumas canções. Djavan e Paulinho da Viola foram outros que participaram do ato no Rio de Janeiro. Em São Paulo, a mobilização teve a presença de artistas como Marina Lima, Leoni e Otto. Em Salvador, Wagner Moura e Daniela Mercury, entre outros.

Rio de Janeiro

“Sem anistia e sem perdão”

Mesmo com a ameaça de chuva e tarde de grenal, mais de 15 mil participaram do protesto na capital do Estado. Manifestantes de todas as idades e origens, estudantes, trabalhadores e aposentados, sindicatos, centrais e movimentos sociais, além de pessoas que por iniciativa individual trouxeram cartazes contra a anistia e a PEC da Blindagem, ou “da Bandidagem”. A concentração foi na avenida João Pessoa, no Viaduto do Brooklin, e, de lá, a multidão seguiu contornando o Parque da Redenção até encerrar o ato no Monumento ao Expedicionário. No trajeto, o ritmo foi ditado por cânticos como “Sem anistia / e sem perdão / o que eu quero / é Bolsonaro na prisão!” – “Bolsonaro” foi, eventualmente, substituído por “generais”. O grito repetido de “Sem anistia!”, porém, se impôs como hino do protesto, sendo repetido também em faixas e cartazes. Diversos cartazes criticavam o Congresso sob o slogan “Congresso Inimigo do Povo”.

Resposta ao “pacote da bandidagem” do Congresso

O dia de lutas foi uma resposta ao Congresso Nacional, que tem feito tramitar pautas que geram indignação na maioria da população. Uma delas é a anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023, tema que une oposição bolsonarista e o chamado Centrão. Nas últimas semanas, esses setores têm se articulado por um projeto de lei que conceda anistia aos golpistas, com diferentes modulações: há dúvida, por exemplo, sobre a abrangência do que seria essa anistia, incluindo ou não Jair Bolsonaro (PL) e outras figuras centrais da tentativa de golpe. Essas articulações foram aceleradas após a condenação de Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. Na última quarta-feira, 17, a Câmara aprovou a urgência para um projeto de anistia, mas ainda sem definir seu conteúdo. No mesmo dia, o presidente da Casa, Hugo Motta (REP-PB) designou o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator. As articulações tiveram a participação de Aécio Neves (PSDB-MG) e do ex-presidente, oriundo de um golpe, Michel Temer (MDB-SP).

Além disso, na semana passada a Câmara dos Deputados aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem, que dificulta a abertura de processos contra parlamentares e também sua prisão. Após os protestos de domingo, o relator da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), disse vai votar contra a proposta e que ela serve para “defender bandido”. Na outra ponta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, insiste, e disse que pretende apresentar um texto alternativo para a proposta.

A aprovação da PEC da Blindagem na Câmara contou com o voto favorável de 17 deputados do Rio Grande do Sul. Veja abaixo como foram os votos do estado:

Votos a favor
Afonso Hamm (PP)
Alceu Moreira (MDB)
Any Ortiz (Cidadania)
Bibo Nunes (PL)
Danrlei De Deus Hinterholz (PSD)
Covatti Filho (PP)
Franciane Bayer (Republicanos)
Giovani Cherini (PL)
Luiz Carlos Busato (União Brasil)
Márcio Biolchi (MDB)
Marcelo Moraes (PL)
Mauricio Marcon (Podemos)
Osmar Terra (PL)
Pedro Westphalen (PP)
Ronaldo Nogueira (Republicanos)
Sanderson (PL)
Zucco (PL)
Votos contrários
Alexandre Lindenmeyer (PT)
Bohn Gass (PT)
Daniel Trzeciak (PSDB)
Daiana Santos (PCdoB)
Denise Pessôa (PT)
Fernanda Melchionna (PSOL)
Marcel van Hattem (Novo)
Lucas Redecker (PSDB)
Marcon (PT)
Maria do Rosário (PT)
Paulo Pimenta (PT)
Ausentes
Heitor Schuch (PSB)
Afonso Motta (PDT)
Pompeu de Mattos (PDT)