SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

PRIVADO PIFADO

Greve contra a privatização paralisa trens em SP; nas linhas privadas, pane, dinheiro público garantido e jornadas de trabalho extensas

Nessa terça-feira, 3, os trabalhadores e as trabalhadoras do metrô e dos trens urbanos de São Paulo realizaram um dia de greve contra a tentativa do governador do estado, Tarcísio de Freitas (REP), de privatizar a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e o Metrô. Trabalhadores da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) também aderiram à paralisação, já que a empresa também sofre da mesma ameaça.

O governo de São Paulo pretende conceder todas as linhas de trens da CPTM e do Metrô para a iniciativa privada até 2026, e a Sabesp, até 2024. Em resposta, os sindicatos convocaram o dia de greve, que conseguiu paralisar total ou parcialmente nove das 12 linhas estatais, com a adesão de 95% dos cerca de 6,5 mil funcionários do metrô, mesmo sob a ameaça de multas por parte do TRT2. Nas emissoras de televisão que cobriram a greve e seus efeitos, foram entrevistados diversos passageiros e passageiras que lamentavam os transtornos, mas apoiando os sindicatos e criticando o governador Tarcísio de Freitas.

Durante a tarde, a Linha 9-Esmeralda, operada pela iniciativa privada, sofreu falha técnica e deixou os passageiros tendo que recorrer a um sistema emergencial de ônibus. A falha permaneceu sem solução até a noite. Mais cedo, o governador Tarcísio de Freitas elogiara as linhas operadas pelo setor privado. Tarcísio afirmou que serviços públicos precisam ter “regularidade e disponibilidade”. E completou: “E quais são as que estão em funcionamento hoje? As que foram transferidas para a iniciativa privada. Essas linhas não estão deixando o cidadão na mão”.

Os sindicatos denunciam que a possível privatização tende a aumentar a tarifa e piorar o serviço. Nas linhas já privatizadas, o que se vê é prejuízo para a população, que enfrenta o sucateamento do atendimento. E para o governo, que precisa pagar pelas linhas com menos passageiros – recentemente, o governo pagou R$ 300 milhões para a Viaquatro, concessionária do metrô.

Representantes dos sindicatos protocolaram junto ao governo do estado um pedido de audiência com o governador para discutir o tema. Apesar de terem recebido resposta oficial afirmando que a demanda seria avaliada, o encontro jamais foi marcado. A greve foi mais um passo na luta conjunta dos grupos de trabalhadores do transporte público e do saneamento. Aliados a outras entidades, eles organizam um plebiscito popular, que tem o objetivo de ouvir 1 milhão de cidadãos sobre as propostas de privatizações. As urnas do plebiscito passarão por diversas partes do estado de São Paulo até 5 de novembro.

Sabesp

No caso da Sabesp, a privatização vai na contramão da tendência mundial, que está reestatizando os serviços integrados de água. O serviço ruim e caro praticado por empresas de saneamento fez pelo menos 158 cidades do mundo de países como a França, Estados Unidos e Espanha, entre outros, a estatizar novamente os serviços de saneamento, anteriormente privatizados. Os motivos foram: falta de cumprimento das cláusulas contratuais, falta de transparência na prestação de serviços e aumentos de tarifas. A Sabesp tem 28,4 milhões de clientes em 375 cidades paulistas, a empresa tem capital aberto, sendo o governo o principal acionista (50,3%). Entre janeiro e setembro de 2022, a Sabesp acumulou lucro de R$ 2,47 bilhões e desperta interesses dos grandes grupos privados da área de energia. Pelo menos 15 projetos de desestatização estão previstos, segundo a administração estadual.

Com informações da CUT, dos Metroviários de SP, do jornal O Estado de S. Paulo e do portal G1