SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

REUNIÃO INÉDITA

Em reunião no Sintrajufe/RS, líder do governo se compromete a atuar por votação dos vetos 45 e 17 e a incluir negociação coletiva na pauta do Colégio de Líderes

Na manhã desta sexta-feira, 7, o Sintrajufe/RS reuniu-se com o líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT). A reunião ocorreu na sede do sindicato e teve como pautas centrais os vetos às reposições salariais dos servidores e servidoras do Judiciário Federal e do Ministério Público da União e o projeto de le­i 1893/2026, que trata da negociação coletiva no serviço público. Conforme compromisso firmado na reunião, Pimenta apresentou, no início da tarde, o requerimento 3998/2026, para inclusão do PL 1893 na ordem do dia do plenário.

A direção reforçou a importância da disponibilidade do atual líder do governo na Câmara dos Deputados em ir até o Sintrajufe/RS para discutir pautas de interesse da categoria. Representaram o sindicato as diretoras Arlene Barcellos, Carmem Regina Ribeiro e Mara Weber e os diretores Fabrício Loguércio e Zé Oliveira.

Reposição salarial: Pimenta vai trabalhar para incluir vetos na pauta

Os dirigentes do Sintrajufe/RS retomaram, com o deputado, o histórico dos projetos de lei de reposição salarial da categoria. Lembraram que os textos foram aprovados com os votos das bancadas da base governista, e que repõe perdas acumuladas ao longo dos últimos anos, em especial referentes aos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL), quando não houve qualquer reajuste.

Sancionada em dezembro, a lei 15.293/2025 garantiu o reajuste de 8% em 2026 para os servidores do Judiciário Federal, mas foram vetadas pelo governo Lula (PT) as parcelas de 2027 e 2028 (veto 45), sob a justificativa de que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) não permitiria que um governo aprovasse reajustes salariais que terão impacto em governos posteriores. Posteriormente, a mesma justificativa foi aplicada para o veto 17, referente à reposição salarial dos servidores e servidoras do MPU, que havia sido aprovada nos mesmos termos. Os dirigentes destacaram que a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula já disse, em reunião, que não tem contrariedade quanto ao mérito dos textos, e que os vetos ocorreram apenas por conta do avanço das parcelas sobre os próximos governos. As direções sindicais vêm contestando esse argumento.

Os diretores e diretoras do Sintrajufe/RS advertiram que, caso os vetos não sejam derrubados, há chance real de que a categoria fique com o salário congelado no ano que vem, especialmente porque não há garantia de negociação coletiva no serviço público, outro ponto da pauta que foi abordado posteriormente. Também lembraram que o projeto não traz nenhum penduricalho para os servidores e servidoras, ao contrário do que vem ocorrendo com a magistratura e gerando indignação na categoria e na sociedade como um todo. O avanço da magistratura sobre o orçamento do Judiciário foi outro tema da reunião, já que também vem gerando outros problemas para os servidores, como o não provimento de cargos vagos.

O deputado concordou que a sociedade está indignada com a situação da magistratura e também defendeu a reposição salarial dos servidores. Nesse sentido, comprometeu-se, como líder do governo, a trabalhar para incluir os vetos 45 e 17 na próxima sessão do Congresso Nacional.

Negociação coletiva: ofício para o Colégio de Líderes

Em relação à negociação coletiva, os representantes do Sintrajufe/RS falaram sobre a importância de aprovar o projeto (PL 1893/2026) nos termos do texto original apresentado pelo governo. Alertaram para algumas das mudanças apresentadas pelo relator, André Figueiredo (PDT-CE), e defenderam o papel dos sindicatos, a regulamentação da negociação coletiva e a licença remunerada a servidores que exerçam mandato sindical.

Em 2010, o Congresso ratificou a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa Convenção foi aprovada pela OIT em 1978 e trata das relações de trabalho, da liberdade sindical e da negociação coletiva no setor público. A ratificação e a incorporação da Convenção ao ordenamento jurídico do Brasil haviam sido solicitadas ainda em 2008 pelo então presidente Lula (PT). Neste ano, já em seu terceiro mandato, Lula enviou ao Congresso o projeto de lei (PL) 1893/2026, que finalmente regulamenta a aplicação da Convenção. No dia 1º de julho, o deputado André Figueiredo (PDT-CE), relator do projeto, apresentou seu parecer. Desde lá, o projeto está parado, mesmo que o governo tenha conseguido aprovar regime de urgência para sua tramitação.

Pimenta comprometeu-se a apresentar um ofício pedindo a inclusão do PL 1893/26 na pauta do Colégio de Líderes que, na próxima terça-feira, 11, irá reunir-se para definir os temas que serão votados nas próximas semanas de esforço concentrado do Congresso.

Justiça Eleitoral: requisitados e ataques renovados

A reunião também tratou de temas ligados à defesa da Justiça Eleitoral e dos servidores e servidoras do órgão. Uma das preocupações expressas pelo Sintrajufe/RS refere-se aos requisitados que atualmente atuam na JE, mas que podem ser devolvidos após as eleições. Os e as sindicalistas alertaram para a ameaça de terceirização trazida por essa possibilidade, ainda mais grave por envolver setores sensíveis para a defesa da democracia. A posição do sindicato é de preenchimento de todos os cargos por meio de concursos públicos, sem terceirização e sem sobrecarregar os atuais servidores com a perda dos requisitados.

Ao mesmo tempo, explicaram os representantes do Sintrajufe/RS, gera preocupação a retomada dos ataques às urnas eletrônicas, o que gera problemas para a instituição como um todo e, especificamente, para servidores e servidoras. Recentemente, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) repetiu acusações feitas por Jair Bolsonaro (PL) em 2022, relacionadas à segurança das urnas. Desde a eleição anterior, o Sintrajufe/RS vem alertando que esse tipo de discurso por candidatos, que inclui informações falsas e acusações sem provas, gera riscos à segurança dos servidores e servidoras que são a representação da Justiça Eleitoral junto aos eleitores, em especial nos municípios do interior onde a divulgação de narrativa prejudicial à JE se torna pessoalizada.

Em 2021 e 2022, o Sintrajufe/RS ingressou com duas ações como resposta às declarações de Jair Bolsonaro. A primeira foi indeferida. No caso da segunda, a sentença inicial decidiu pela ilegitimidade ativa do sindicato como propositor da ação, mas sua tramitação continua. O Sintrajufe/RS interpôs apelação, mas esse pedido também foi indeferido por maioria, embora o relator tenha opinado pela legitimidade da entidade e pelo retorno à primeira instância para o julgamento do mérito. Desta decisão, contrária ao sindicato, foi interposto recurso especial, remetido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). No STJ, esse recurso não foi admitido, motivo pelo qual o Sintrajufe/RS interpôs agravo interno. O julgamento virtual deve ter início no dia 13 de agosto, com sustentação oral do advogado Felipe Néri da Silveira, do escritório Silveira, Martins, Hübner (SMH), que presta assessoria jurí­dica ao sindicato.