SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DIA DA VERDADE E DA LIBERDADE

Com frio de menos 16 graus população vai às ruas nos EUA contra polícia migratória de Trump; CUT se manifesta sobre assassinato de enfermeiro em Minnesotta

Manifestantes enfrentaram o frio extremo de 16 graus abaixo de zero causado pela Tempesta Fern, nesse domingo, 25, na cidade de Minnesotta, para protestar contra o assassinato do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, alvejado por tiros disparados por agentes federais do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). Atos foram realizados em várias cidades do país. A Central Única dos Trabalhadores (CUT Brasil) manifestou “suas mais profundas condolências e sua solidariedade” a entidades sindicais estadunidenses e aos familiares e companheiros de Pretti, membro da seção local da Associação Americana de Trabalhadores do Governo (AFGE).

Pretti foi morto no sábado, 24, durante uma ação do Departamento de Segurança Interna (DHS). Ele era enfermeiro e cidadão estadunidense. Segundo o DHS, Pretti foi baleado após “se aproximar” de agentes da Patrulha de Fronteira com uma pistola semiautomática de 9 milímetros. No entanto, vídeos gravados por testemunhas mostram Pretti com um celular na mão; em nenhuma das imagens divulgadas é possível ver uma arma.

Milhares de pessoas também se reuniram no centro de Chicago, enfrentando a neve e temperaturas de abaixo de 11 graus. Atos e greves contra o ICE também estavam planejados para cidades como Los Angeles, Omaha, Madison e Portland. Alguns fazem parte de manifestações regulares e contínuas contra a agência anti-imigração, mas a maioria dos organizadores mencionou o assassinato de Pretti como motivo neste domingo.

Dia da Verdade e da Liberdade parou a cidade

No dia 23, sexta-feira, em Minneapolis, milhares de pessoas tomaram as ruas numa mobilização chamada de “Dia da Verdade e da Liberdade”. A greve geral fechou o comércio, escolas, bares e restaurantes e contou com o apoio de sindicalistas, líderes religiosos e lideranças comunitárias que transformaram a região metropolitana, que reúne cerca de 3,5 milhões de habitantes, numa cidade fantasma. Redes de apoio e proteção de migrantes foram organizadas nas comunidades. Campanhas de boicote a empresas vinculadas à deportação de migrantes também foram organizadas, como é o caso do boicote à empresa aérea Avelo, cujo contrato de envio de deportados não foi renovado.

Detenções e violência

Desde dezembro, o ICE realiza uma ampla operação anti-imigração nas cidades de Minneapolis e Saint Paul – chamadas “Cidades-Irmãs”. Detenções ilegais, violência e deportações têm sido comuns nesse período. Desde então, a população tem ido às ruas em protestos.

A operação do ICE em Minneapolis ganhou a atenção internacional depois que a estadunidense Renee Nicole Good foi morta a tiros por um agente de imigração em 7 de janeiro. Ela dirigia um carro que o agente alegou ter avançado contra ele, versão reforçada pelo governo e pelo próprio presidente Donald Trump. Vídeos do incidente mostram, no entanto, que o agente Jonathan Ross não foi acertado pelo veículo antes do disparo.

Também teve grande repercussão, no dia 20, a detenção de uma criança de 5 anos por agentes de imigração dos Estados Unidos. O menino teria sido usado como “isca” para verificar a presença de outras pessoas em uma casa, segundo autoridades educacionais da cidade. Segundo a versão do governo, o alvo era o pai da criança, um equatoriano. Segundo a administração escolar, outras três crianças foram detidas por agentes de imigração na região de Minneapolis em janeiro.

CUT manifesta solidariedade

A CUT manifesta condolências e sua solidariedade à Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO), à AFGE e aos familiares e companheiros de Alex Pretti. Para a central, o assassinato “por agentes federais constitui um ato chocante de violência de Estado e um ataque inaceitável a um trabalhador da saúde, a um sindicalista e à classe trabalhadora. Sua morte está diretamente relacionada ao atual contexto de repressão, militarização e intimidação de comunidades inteiras”.

A CUT afirma que “os Estados Unidos, assim como o Brasil e demais países das Américas, somos países construídos por povos originários, colonizadores, povos escravizados e imigrantes. Acolhemos também refugiados”. Segundo a central, as atuais ações do governo dos EUA “criminalizam trabalhadores, destroem famílias e promovem deliberadamente o medo, o racismo e a divisão da classe trabalhadora”.

Com informações de O Globo e g1

Foto: reprodução Facebook